11:30 26 Setembro 2017
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    Dilma Rousseff
    Elza Fiúza/Agência Brasil

    Para senadora, agenda de reformas de governo interino não passaria pelo voto popular

    Brasil
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    A presidente afastada Dilma Rousseff voltou a defender seu mandato e a criticar as bases de seu impeachment durante palestra na Universidade Federal de São Bernardo do Campo (SP). Para uma plateia de cerca de 500 pessoas, Dilma comparou com seu afastamento a tentativa de golpe militar na Turquia na semana passada.

    A presidente sublinhou que o Brasil também vive um golpe de Estado, embora aparentemente diferente do que aconteceu na Turquia com a tentativa de um grupo de militares de tirar do poder o presidente Recep Erdogan. No Brasil, segundo Dilma, o governo interino afirma que não vivemos um golpe porque não há armas e nem tanques nas ruas, e que tudo foi feito respaldado pela Constituição.

    "Temos o golpe parlamentar, que alguns chamam de golpe frio, e outros de golpe institucional. Mas se no golpe militar você tem o machado derrubando a árvore da democracia, no golpe parlamentar você tem as parasitas atacando a árvore", comparou. 

    Para Dilma, o "golpe" brasileiro visa a assegurar "uma pauta que não foi e não será aprovada sem que passe pelo crivo do voto popular.

    Ouvida pela Sputnik Brasil, a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) diz que o comentário da presidenta Dilma é muito pertinente. 

    "Primeiro porque se trata de um golpe, não tem solidez jurídica. Todos nós sabemos que o impeachment está previsto na Constituição, mas é preciso que tenha base legal, o que não é o caso. O afastamento da presidenta Dilma não tem nada a ver com pedalada, com decreto, suplementação orçamentária. São meros artifícios que o consórcio golpista utilizou para cassar o mandato popular."

    A senadora diz que, quando a presidenta faz essa comparação (com a Turquia), dizendo que hoje o golpe seria os parasitas destruindo a árvore, ela próprio acrescentaria: 

    "Além dos parasitas, é também um bando de corruptos. São os conspiradores, ou seja, é golpe porque está violando a Constituição brasileira, suprimindo o que a democracia tem de mais valioso, o direito de escolher seus representantes. Mais grave ainda porque esse golpe tenta cassar, sem sustentação jurídica, um mandato popular legitimamente constituído para instalar um outro governo, um outro projeto, uma outra agenda, que jamais passaria pela prova da urna." 

    Fátima questiona que presidente se elegeria dizendo que vai congelar os gastos e os investimentos nas áreas sociais com a PEC 241 ou dizendo que vai fazer uma reforma da Previdência e pretende elevar a idade mínima de aposentadoria para 65, 70 anos? A senadora questiona, por fim, que presidente se elegeria prometendo uma reforma trabalhista que fará  prevalecer o negociado sobre o legislado.

    "Há também uma agenda de ataque à soberania nacional. A pressa que este governo interino está tendo, um governo desprovido de legitimidade, de flexibilizar a legislação brasileira para vender o país. Eles querem agora não só vender as estradas, o espaço aéreo, a água, como também a joia da coroa que é o pré-sal."

    Fátima diz que, por tudo isso, é preciso que  população continue cada vez mais firme na resistência, na luta para reverter o impeachment e derrotar o golpe contra o Estado brasileiro pelo que apresenta de agenda regressiva.

    "Uma agenda, repito, que só um governo desprovido da legitimidade popular se atreveria a estar fazendo o que está fazendo hoje no país."

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    Tags:
    votos, reforma, golpe de Estado, democracia, impeachment, Congresso, Fátima Bezerra, Dilma Rousseff, São Bernardo do Campo, Turquia, Brasil
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