18:58 23 Setembro 2017
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    Valter Campanato/Agência Brasil

    População carioca não está preparada para o risco de atentados nos Jogos

    Brasil
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    Mais uma notícia preocupante sobre a segurança dos Jogos Olímpicos no Rio. Em depoimento na Assembleia francesa sobre os atentados cometidos pelo Daesh em Paris, em novembro de 2015, o diretor de Inteligência Militar, general Christophe Gomart, disse que um brasileiro, integrante do Daesh, estaria preparando um ataque à delegação francesa no Rio.

    A afirmação surpreendeu os deputados. Segundo o jornal "Libération", o general não mencionou o nome do extremista, assim como não deu pistas sobre sua localização, se no Brasil ou no exterior, bem como não disse se ele já estaria preso. Quando indagado pelo deputado George Fenech sobre a origem da informação, o general foi lacônico: "Pelos nossos parceiros."

    Procurada pela Sputnik Brasil para comentar a informação, a Agência Brasileira de Informação (Abin) disse ainda não ter recebido essa informação das autoridades francesas. A Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, por sua vez, informou que não comentaria o assunto e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) também informou não ter sido notificado.

    Informações publicadas pela imprensa brasileira no início da semana dão conta de que a Abin estaria monitorando, em especial no Centro-Oeste e Sudeste do país, cerca de cem pessoas suspeitas de pertencer a algum grupo extremista e capazes de cometer algum tipo de atentado durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos que começam dia 5 de agosto e que devem atrair quase 600 mil pessoas à cidade.

    O governo tem insistido que todo o aparato de segurança já está montado para assegurar o máximo de proteção tanto a atletas quanto a moradores e turistas. Esse planejamento começou em 2015 com a o grupo GT Terrorismo, criado pela Casa Civil. A cooperação com os serviços de inteligência de outros países está assegurada com a inauguração de um Centro de Inteligência dos Serviços Estrangeiros (Cise) com representantes de mais de 100 países.

    O especialista em estudos de terrorismo global e colaborador da Escola de Guerra Naval, Ricardo Cabral, é um dos que acha crível a possibilidade de um atentado durante os jogos, apesar de todo o aparato de segurança.

    "A Inteligência Militar e a Polícia Federal estão alertas quanto às possibilidades de ataques coordenados por indivíduos isolados ou por lobos solitários. Existe uma possibilidade, que tem circulado, de indivíduos estarem se organizando de forma separada para atuarem no mesmo ambiente. Isso corrobora informações que temos sobre a Abin estar monitorando mais de 200 pessoas."

    Segundo o especialista, um dos trunfos do terrorismo é ele se manifestar onde menos se espera. O especialista afirma que a tarefa das forças de segurança é complexa, porque não se pode ficar atento e protegendo todos os lugares o tempo todo. 

    "É uma situação preocupante, mas acreditamos que o sistema de defesa está preparado, não para reagir, mas para prevenir esses atentados. França, Bélgica e outros países sofrem atentados, apesar de todo o aparato de inteligência que eles dispõem."

    Um dos pontos que mais preocupa Cabral é o despreparo da população em relação a essas ameaças. 

    "A gente acha que aqui não temos inimigos. Esse discurso que nossos elementos culturais não agridem outras culturas, que nós nunca vamos ter problema com ninguém, e o fato do próprio jeito brasileiro não levar a sério determinadas situações é preocupante."

    Para ilustrar esse despreparo, o especialista, também professor de Relações Internacionais, observa que, ao contrário de outras grandes metrópoles no mundo, o Rio tem cestas de lixo completamente fechadas, quando o comum nas grandes cidades são sacos de lixo completamente translúcidos. Lá fora há também, segundo ele, uma grande preocupação da polícia com objetos abandonados em locais públicos, o que é frequentemente denunciado pelos cidadãos. 

    "Vejo na internet e nas redes sociais muito pouca gente levando isso a sério. É um comportamento típico do brasileiro, fazendo muita brincadeira, muita troça sem perceber a proximidade e a gravidade do perigo que a sociedade brasileira enfrenta durante as Olimpíadas. Todas as medidas que estão sendo tomadas não significam que conseguiremos impedir toda a possibilidade de um atentado."

    Cabral lembra que um dos símbolos da cidade, o Cristo Redentor, pode ser ofensivo a outras culturas, e o Daesh já destruiu igrejas cristãs e assassinou cristãos em seus ataques no Oriente Médio. 

    "Vejo com preocupação essa atitude meio blasé da população de uma maneira geral. Vejo a população mais preocupada com o tráfico, com assalto, etc. e não dando o devido crédito às informações que temos recebido das autoridades. Vejo com preocupação também a situação do aparato de segurança. A Força Nacional, que veio reforçar a polícia, está em condições precárias; a PM trabalhando em condições bastante adversas, como somente se as Forças Armadas resolvessem tudo. Precisamos de um olhar atento e vigilante e uma atuação bastante vigorosa da própria população para tentar identificar esses possíveis agressores e informar às autoridades."

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    Tags:
    população, Olimpíadas, terrorismo, segurança, PM, Força Nacional, Daesh, Abin, Exército, Ricardo Cabral, França, Brasil
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