19:54 19 Agosto 2018
Ouvir Rádio
    Ato da Frente Brasil Popular em Petrolina/PE
    Ricardo Stuckert/Instituto Lula

    Deputada petista: 'Estamos retrocedendo diretamente ao século 19'

    Brasil
    URL curta
    2139

    O ex–Presidente Luiz Inácio está fazendo um périplo por cidades do Nordeste, nas quais defende os Governos do PT e faz sérias críticas ao presidente interino Michel Temer, afirmando que as empresas estatais estão sendo privatizadas “porque Temer e equipe não sabem governar”.

    Lula esteve segunda-feira em Juazeiro, na Bahia, e nesta terça-feira em Carpina e Caruaru, em Pernambuco. A última etapa da viagem será na quarta-feira, em Recife. Para as populações locais e para a mídia, Lula declarou:

    “O Governo interino está agindo para desmontar programas sociais e vender o patrimônio do país por meio de privatizações. Eles estão tentando criar condições para Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal serem vendidos. Eles não sabem governar e precisam vender o patrimônio público. Mas eles podem saber o seguinte: eu sei governar.”

    “Eu concordo plenamente com o Presidente Lula”, diz a Deputada Margarida Salomão (PT-MG), parlamentar muito próxima ao ex-presidente e à Dilma. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, a parlamentar petista explica seu pensamento:

    “Eu entendo que desgoverno e interinidade Temer são praticamente sinônimos. Michel Temer é um político sem nenhuma experiência de gestão, passou a vida fazendo articulações de bastidores e hoje está na incumbência de implementar uma pauta inteiramente antipopular, regressiva, como é o caso da privatização das estatais brasileiras, com a escusa de fazer caixa para enfrentar nosso déficit.”

    A Deputada Margarida Salomão acrescenta que “isso mostra uma absoluta falta de grandeza, falta de capacidade estratégica de compreender seja a natureza do déficit brasileiro, seja a natureza das estatais como alavancagem para o nosso desenvolvimento econômico e social”.

    “Exatamente por ser um político sem voto é que ele foi incumbido pelos donos do mundo, pelos donos do capital, de implementar essa agenda que tem as estatais como a parte mais suculenta dos despojos a serem arrecadados”, diz Margarida Salomão. “E, de outro lado, com essas circunstâncias que foram noticiadas na semana passada, essa conversa da CNI de adotar uma jornada de trabalho de 80 horas semanais para o trabalhador brasileiro, apagando o século 20, retrocedendo diretamente ao século 19. Isso tudo mostra uma falta muito grande de capacidade de enfrentar as dificuldades econômicas que no momento aborrecem e atormentam o Brasil, mas justamente jogando fora as ‘joias da coroa’.”

    Em suas manifestações no Nordeste, Lula também destacou que “o Governo Dilma desandou depois da eleição de Eduardo Cunha para presidir a Câmara em 2015”, e que “Cunha utilizou o cargo para atrapalhar Dilma”. Também nestes aspectos, Margarida Salomão concorda com Lula:

    “Essa afirmação do Presidente Lula é totalmente precisa. A Presidente Dilma levou o seu Governo no ano passado, podemos dizer, como que em estado de sítio. Nenhuma das medidas por ela encaminhadas no sentido do saneamento econômico foi acolhida ou encaminhada de uma forma favorável pelo presidente da Câmara. Uma das coisas mais brutais foi a proposta de votação de um déficit que era muito inferior àquele que finalmente a Câmara votou para o Governo interino Temer. Isso mostra uma má vontade, uma falta de consistência na apreciação de situações semelhantes. Certamente Eduardo Cunha é um dos artífices do golpe e uma das pessoas que mais prejudicaram o Brasil na sua passagem pela vida pública brasileira.”

    Mais:

    Senadora Gleisi Hoffmann acusa governo Temer de colocar o Mercosul em risco
    Pró e contra Dilma: Senadores divergem sobre carta de defesa da presidente afastada
    Tags:
    golpe de Estado, empresas estatais, privatização, déficit, economia, CNI, PT, Margarida Salomão, Michel Temer, Lula, Eduardo Cunha, Dilma Rousseff, Bahia, Pernambuco, Brasília, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik