09:46 18 Agosto 2017
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    Polícia Federal  deflagra nova etapa da Operação Lava-Jato com alvo em instituição financeira do Panamá
    Divulgação PF

    PF deflagra nova etapa da Operação Lava-Jato com alvo em instituição financeira do Panamá

    Brasil
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    A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (7) 17 mandados judiciais, sendo sete de condução coercitiva e dez mandados de busca e apreensão, pela 32ª fase da Operação Lava Jato em São Paulo, Santos e São Bernardo do Campo. O representante de um banco panamenho, que operava no Brasil, Edson Paulo Fanton foi o alvo dessa nova fase da Lava Jato.

    A operação batizada de "Caça-Fantasmas", é um desdobramento da 22ª fase da Lava Jato, denominada de Triplo X, que investiga sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro e organização criminosa transnacional. Edson Passos Fanton, é representante do FPB Bank, banco panamenho que atuava no Brasil, clandestinamente, sem autorização do Banco Central. 

    De acordo com a Procuradora da República da força-tarefa da Lava Jato, Jerusa Viecili, o FPB Bank abria contas no Brasil para viabilizar o fluxo de valores ilícito para o exterior. O Banco vendia ainda empresas offshore registradas pela Mossak Fonseca, para ocultar a titularidade dos donos. A Mossak Fonseca era um escritório de advocacia e consultoria panamenho que já foi alvo da Lava Jato, por suspeita de participar de esquema de corrupção na Petrobras.

    "O que nós víamos nas outras fases era que o dinheiro desviado pelos atos de corrupção, ele era ocultado mediante a intermediação de operadores financeiros, normalmente pessoas físicas. Agora, o que se tem é uma instituição financeira atuando clandestinamente no território nacional, que é utilizada para realizar essa ocultação, essa dissimulação e tornar invisíveis os titulares dos recursos públicos."

    Edson Passos Fanton foi levado para prestar depoimento em Santos. Segundo o delegado da Polícia Federal, Rodrigo Sanfurgo, os próximos passos da investigação será tentar identificar  quem são os clientes da instituição financeira e quais eram os motivos de usar seus serviços. O banco funcionava no Brasil como uma espécie de Agência de Private Back, um serviço personalizado para clientes com alto poder financeiro.

    "O perfil do cliente, é um cliente que obviamente quer esconder a origem do seu dinheiro, porque senão, eles não procuravam uma instituição ilegal. Quem quer investir, movimentar ou ter uma conta lá fora procura uma instituição com autorização, ninguém vai entregar o dinheiro para quem não conhece. E todos que procuravam, certamente sabiam dessa situação."

    De acordo com a Polícia Federal, a Mossack Fonseca abriu offshores para esconder apartamentos luxosos localizados no Guarujá, litoral de São Paulo, que pertenciam a Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) e que, em 2009, foram assumidos pela OAS. Inicialmente, a suspeita era de que os imóveis eram usados para repasse de propina. Uma das unidades está em nome da empresa Murray, uma offshore aberta pela Mossack.

    Tags:
    Operação Caça-Fantasmas, Operação Lava Jato, corrupção, Polícia Federal, Panamá, São Paulo, Brasil
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