07:08 05 Dezembro 2020
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    Carlos Marun: ‘Cunha deve renunciar à Presidência da Câmara e ser julgado pelo STF’

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    Parlamentar peemedebista, que tem sido um defensor de Eduardo Cunha na Câmara, fala com exclusividade à Sputnik Brasil sobre a situação do deputado afastado e afirma ser favorável à sua renúncia à Presidência da Casa.

    Pela segunda vez, o Supremo Tribunal Federal acolheu denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o Deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Afastado da Presidência da Câmara e com o mandato parlamentar suspenso por decisão do próprio STF, Cunha se tornou réu em ações de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica. Rodrigo Janot acusa o parlamentar de ter desviado para contas bancárias na Suíça o equivalente a R$ 5,2 milhões, dinheiro obtido de forma ilegal.

    O Deputado Federal Carlos Marun (PMDB-MS), tido na Câmara como aliado de Eduardo Cunha, diz não ter se surpreendido com a decisão do Supremo, e revela que tem se empenhado junto a Cunha para que ele renuncie à Presidência da Câmara.

    “A decisão do STF é completamente previsível”, afirma Marun. “Nunca tive dúvida de que efetivamente o Deputado Eduardo Cunha precise se explicar em relação a uma série de situações das quais é acusado pela Procuradoria-Geral da República, e isso corrobora minha tese de que o foro adequado em que deve acontecer esse julgamento é exatamente o Supremo Tribunal Federal.”       

    O peemedebista Marun garante:

    “Minha tese é de que o deputado [Eduardo Cunha] deve renunciar ao seu mandato de presidente da Câmara mas manter o mandato de deputado, sendo punido, mas não com a cassação. Deve manter o mandato para que se defenda no STF, um foro onde ele poderá ter um julgamento menos contaminado pelos olhos políticos produzidos principalmente a partir do momento em que ele decidiu comandar, na Câmara dos Deputados, o processo de impeachment. Eu não vejo como o Deputado Eduardo Cunha possa ter na Câmara Federal um julgamento sequer próximo da isenção.”

    O Deputado Carlos Marun explica por que Eduardo Cunha não teria um ambiente para seu julgamento na Câmara:

    “Num primeiro momento ele derrotou o Governo e a oposição para se tornar presidente [da Câmara]. Derrotou no primeiro turno. Num segundo momento, decidiu assumir o comando do processo de impeachment da presidente [Dilma Rousseff] dentro da Câmara Federal. Isso contrariou diversos e poderosos interesses, produziu ódios que fazem com que a Câmara não seja o foro adequado para que ele receba uma pena capital, porque a cassação, para um político, é pena capital, é a pena de morte. Eu não vejo isenção suficiente na Câmara para promover esse tipo de punição e defendo que ele seja julgado pelo STF, que ontem aceitou mais uma denúncia da Procuradoria-Geral da República, e hoje o Deputado Eduardo Cunha é réu em dois processos. O STF, que aceitou esses processos, essas denúncias, que o julgue. Esta é a tese que eu estou defendendo perante a Câmara Federal.”

    Sobre a posição do presidente afastado da Câmara em relação ao Governo interino, o Deputado Carlos Marun pensa que, “se não fosse alvo dessas acusações, Eduardo Cunha, por sua capacidade e pela liderança que possuía na Câmara dos Deputados – que hoje já não possui – poderia estar prestando um grande serviço ao Governo de Michel Temer. Hoje, efetivamente, ele está impedido, tanto de ajudar e também de atrapalhar.”

    Ainda segundo Carlos Marun, “muito se criticou o Deputado André Moura por ter sido escolhido líder do Governo na Câmara, por uma eventual proximidade que ele tivesse com Eduardo Cunha, mas a realidade hoje é que a base do Governo, liderada por André Moura, tem demonstrado uma grande vitalidade na Câmara dos Deputados. Estamos votando em conformidade com a necessidade do governo, eu nem digo com interesse. Então não há como se falar que o Deputado Eduardo Cunha está atrapalhando, não. Cunha, em relação ao Governo, tenho certeza que torce para que esse Governo dê certo”.

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    Tags:
    pena de morte, contas no exterior, corrupção, denúncia, impeachment, Procuradoria Geral da República, Câmara dos Deputados, STF, PMDB, André Moura, Michel Temer, Dilma Rousseff, Eduardo Cunha, Brasília, Brasil
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