09:22 17 Julho 2019
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    Integrantes do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
    José Cruz/ Agência Brasil

    Núcleo Agrário do PT: Não se pode admitir retrocesso

    Brasil
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    O Deputado Federal João Daniel (PT-SE), coordenador do Núcleo Agrário do Partido dos Trabalhadores, protocolou na Comissão de Agricultura da Câmara requerimento convocando o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Sérgio Etchegoyen, para prestar esclarecimentos na Câmara.

    Segundo o parlamentar, em entrevista à Sputnik Brasil, “a convocação tem como objetivo esclarecer declarações dadas à imprensa pelo General [Etchegoyen] sobre possíveis monitoramentos de atividades dos movimentos sociais, notadamente os da área rural”.

    A ideia de convocar o ministro-chefe do GSI surgiu durante reunião entre o Deputado João Daniel e os movimentos sociais com atuação no campo, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), a Via Campesina, a Fetraf (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar) e os Movimentos de Atingidos pela Mineração e por Barragens.

    A reunião aconteceu na terça-feira, 7, e contou com a participação de outros deputados federais do PT, como Adelmo Leão, Leonardo Monteiro, Patrus Ananias e Padre João, todos de Minas Gerais; Bohn Gass e Marcon, do Rio Grande do Sul; Nilto Tatto, de São Paulo; Luiz Couto, da Paraíba; Valmir Assunção, da Bahia; e Zé Carlos, do Maranhão.

    De acordo com João Daniel, “a informação [sobre possíveis monitoramentos de atividades dos movimentos sociais] causou grande preocupação ao PT porque “a última vez em que os movimentos sociais do campo foram monitorados pelas Forças Armadas foi durante a ditadura militar, e nenhum de nós quer reviver aquele período”.

    “Nós tomamos a decisão de convocar o ministro porque vimos na imprensa que havia uma decisão de monitoramento, por parte do ministro, dos movimentos sociais ligados à questão da agricultura familiar e da reforma agrária no Brasil”, informa o deputado petista. “Isso nos levou à preocupação no sentido de saber qual é o monitoramento que está sendo feito e quem deu a ordem, porque isso era muito comum na época da ditadura militar. Após a democratização, nós não temos conhecimento desse tipo de atitude das Forças Armadas. Portanto, nós temos o interesse de ouvir, de debater, de discutir, de perguntar. Afinal de contas, é uma preocupação de todos os movimentos sociais ligados especialmente à questão agrária no Brasil. É nesse sentido que nós gostaríamos de ouvi-lo e indagar ao ministro sobre este tema.”

    Sobre a existência de alguma atuação efetiva do Governo contra os movimentos sociais do campo, o Deputado João Daniel relata:

    “Nós estamos acompanhando um caso no qual eu estive presente, na última quinta-feira, na cidade de Goiânia, onde há um caso de perseguição e prisão de duas lideranças rurais, uma desde o dia 31, outra ainda no mês de abril. […] Nós estamos vendo uma sinalização do Governo no sentido conservador, de combater movimento social que luta por reforma agrária, pela terra. Nessa sinalização, os setores atrasados, tanto das Polícias Estaduais quanto do próprio Judiciário, se aproveitam para criminalizar os movimentos.”

    O Deputado João Daniel diz ainda que a reunião de terça-feira com os parlamentares ligados ao grupo da questão agrária foi, sim, de buscar informações sobre este assunto e cobrar um posicionamento firme:

    “Afinal de contas, foi muita luta e muita história em nosso país para chegarmos à democracia, para chegarmos a ter o direito de nos organizar, de lutar e de conquistar o nosso espaço na sociedade brasileira. E não podemos admitir retrocesso, nem perseguição, nem violência contra movimento social que lute por reforma agrária, que lute por projetos de justiça em nosso país.”

    Tags:
    movimentos sociais, reforma agrária, agricultura, PT, Contag, MST, Patrus Ananias, João Daniel, Brasil
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