09:21 16 Julho 2019
Ouvir Rádio
    Rodrigo Janot pede prisão de Romero Jucá, Renan Calheiros, José Sarney e Eduardo Cunha

    Após pedido de prisão da PGR, Renan, Jucá e Sarney negam interferir na operação Lava-Jato

    Divulgação Fotos Públicas
    Brasil
    URL curta
    220

    O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do senador Romero Jucá (PMDB-RR), do ex-senador José Sarney (PMDB-AP) e do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por tentativa de obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

    As informações foram divulgadas em reportagem publicada nesta terça-feira (7) pelo jornal O Globo. Os pedidos de prisão estão, há cerca de uma semana, sendo analisados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF. 

    A Procuradoria Geral da República destaca que os acusados agiram na tentativa de alterar a decisão do Supremo que prevê a prisão de condenados a partir da segunda instância; atuaram na tentativa de mudar a lei para permitir a delação premiada apenas para pessoas em liberdade, e não para presos investigados; além de pressionarem para que acordos de leniência das empresas pudessem esvaziar todas as investigações.

    Eduardo Cunha se defende no Conselho de Ética da Câmara
    Lucio Bernardo Junior /Câmara dos Deputados

    Em nota divulgada pela assessoria, o presidente do Senado Renan Calheiros considera a medida “desarrazoada, desproporcional e abusiva”. Na nota a assessoria de Calheiros reafirma que ele “não praticou nenhum ato concreto que pudesse ser interpretado como suposta tentativa de obstrução à Justiça, já que nunca agiu, nem agiria, para evitar a aplicação da lei.” 

    Também através de nota em suas redes sociais, o senador Romero Jucá disse que o pedido de prisão é um absurdo, ressaltando que não teme e apoia qualquer tipo de investigação.

    “Em nenhum momento agi ou atuei no sentido de propor legislação ou qualquer tipo de ação que pudesse ser interpretado como tentativa de confundir as investigações. Defendo que investigados presos possam utilizar-se do mecanismo da delação premiada. Defendo a prisão com julgamento em segunda instância em caso que a justiça entenda que seja necessária.”

    Jucá ainda lamentou esse tipo de vazamento seletivo que expõe as pessoas sem nenhum tipo de contraditório. 

    A assessoria de Eduardo Cunha, disse desconhecer o pedido de prisão e que só vai se manifestar após tomar conhecimento do teor das acusações.

    No caso de José Sarney, por conta da idade, ele ficaria em prisão domiciliar monitorado por tornozeleira eletrônica. Ao conversar com a Agência Brasil, o advogado dos senadores Romero Jucá e do ex-Senador José Sarney, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que está voltando de viagem de Londres, disse ser inacreditável que os advogados interessados não tenham acesso às delações que estão nos jornais.

    Kakay ressaltou que José Sarney, em nenhum momento, tentou interferir na Lava Jato.

    “Daquilo que eu vi que foi causado, não existe sequer 'en passant' qualquer tentativa de obstrução de justiça de interferência na Lava Jato. É um momento delicado, se tiver um pedido, eu prefiro não acreditar que tenha, tenho confiança que o Supremo Tribunal Federal não vai determinar uma medida tão drástica em razão das gravações que foram expostas. Mas eu prefiro esperar. Eu estou em Londres, voltando agora. Vou antecipar minha viagem [de retorno a Brasília].” 

    O advogado ainda destacou para a Agência Brasil, que “eles estão perplexos, mas confiantes de que talvez não seja sequer verdade isso. É claro que tem a perplexidade porque imagina uma gravação daquelas, sobre as conversas que vazaram, não justificaria nunca uma tentativa de obstrução.” 


    Tags:
    prisão, Operação Lava Jato, Procuradoria Geral da República, Brasil, Brasília
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar