11:11 05 Junho 2020
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    'Houve estupro sim', afirma delegada no caso que envolve jovem, de 16 anos no Rio

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    Após determinar a prisão preventiva de seis acusados de participar do caso de estupro coletivo de jovem, de 16 anos, em comunidade da Zona Oeste do Rio, a Polícia Civil confirmou nesta segunda-feira (30), que houve sim estupro contra a menor, mesmo após laudo do IML com exame feito na adolescente dizendo não ter encontrado indícios de violência.

    Em coletiva à imprensa, a titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), Cristiana Bento, disse que a vítima adolescente, deve ser preservada, e por isso, conforme a lei, a investigação corre sob segredo de justiça. Ao assumir as investigações neste domingo (29) no lugar de Alessandro Thiers, a delegada disse que viu que havia indícios suficientes para pedir a prisão temporária de seis suspeitos para ajudar na investigação.

    Segundo Cristiana Bento, a vítima está “coagida” e com medo de falar sobre o caso. A delegada afirmou que a jovem só falou porque as imagens vieram à tona, senão ela não iria até a Polícia, como acontece com a maioria das meninas abusadas nas comunidades e não falam por medo dos traficantes. Cristiana Bento disse que está convencida de que houve estupro e agora quer mostrar a extensão do crime, descobrindo quantas pessoas o praticaram.

    “Essa menina foi vítima de violência sexual, foi vítima do Estatuto da Criança e do Adolescente na divulgação das imagens, e ela também está sendo vitimizada pela população, que fica julgando o que ela foi e o que deixou de ser. Essa menina precisa de proteção e cuidado. Eu acho que é aí que está os fatos. Houve estupro sim. Na maioria das vezes esses crimes ocorrem entre quatro paredes, só está os dois. Vai ficar a palavra de um contra o outro, mas nos crimes sexuais a palavra da vítima, ela tem uma importância muito maior, a jurisprudência diz isso. Nós estamos trabalhando muito. Eu quero identificar todos eles, todos os traficantes e conseguir prender todos os envolvidos neste crime.”

    Sobre o resultado do exame feito por peritos do Instituto Médico Legal (IML), que não trouxe indício de violência com a jovem, o Chefe da Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso, afirmou que isso não quer dizer que não houve violência, e como a jovem só fez o exame cinco dias após o fato, os indícios de lesão podem ter sumido em decorrência do tempo que passou. Veloso afirma que no vídeo há a participação clara de três homens, onde pelo menos um deles toca e manipula a jovem, que parece estar desacordada, sob efeito de alguma substância, isso já caracteriza o estupro, que antigamente era chamado de atentado violento ao pudor.  Porém, a Polícia ainda não tem uma prova cabal desse crime, porque não há imagem provando o estupro com mais de 30 autores, há apenas a narrativa das pessoas no vídeo, que falam sobre isso, desta forma, outras provas devem ser juntadas às já existentes.

    “Três já é coletivo. Ela (Cristiana Bento) já está rotulando como estupro coletivo aquilo que está retratado nas imagens. Só que se essa investigação se encerrasse aí, estava resolvido. Só que não se encerra aí, porque na menção da própria vítima há um número de 33 pessoas. Quanto a isto estar certo, ter prova técnica? Não, não tem. Quem são as 33 pessoas, nós estamos buscando. É um estupro coletivo único, e ele aconteceu em momentos diferentes. Teve parte de um momento retratado pelas imagens, em que um deles próprio se filma ali. Se tem um tocando a vítima e outros dois participando, temos três pessoas e um estupro coletivo. Esse momento tem prova e não há dúvida nenhuma. Quanto ao outro momento que é anterior, em que teriam participado 33 pessoas, nós ainda não temos a prova robusta nesse sentido. Poderia ter conseguido com o laudo do exame clínico. Infelizmente, não foi possível porque o exame foi feito de forma tardia, há cinco dias depois do fato.”

    O chefe da Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso, ainda explicou a troca do delegado Alessandro Thiers, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), que foi feita para preservar o delegado, porque seu nível de estresse era grande e estava prejudicando o andamento das investigações, mas garantiu que as acusações de machismo contra a vítima vão ser apurados.

    “Eu entendo que não era mais conveniente que o dr. Alessandro continuasse a frente das investigações até para preservá-lo. É um delegado que já mostrou que é extremamente competente. Isso não diz, que ele não possa cometer nenhum erro ou impropriedade. No ponto que percebemos, que para essa investigação continuar havia necessidade de um conhecimento maior na questão do trato com a vítima, a dra Cristiana tem isso muito mais do que o Alessandro, como tem mais do que eu. É a pessoa certa, no lugar certo. A alegação foi feita por uma advogada, que tem um histórico complicado com o próprio Alessandro, que ela já foi objeto de investigação dele. Nós vamos avaliar isso. Aqui ninguém acoberta ninguém, mas nós também não fazemos pré julgamento. Essa não é a nossa prioridade agora. Nossa prioridade é que a dra Cristiana tenha condição de avançar com as investigações, identificar as pessoas responsáveis, buscar outra provas além das testemunhais, que possam corroborar a história que achamos que aconteceu e submeter essas pessoas à Justiça. Essa é a nossa prioridade zero, zero. Se houve algum problema lá trás vai ser resolvido.”

    Durante a coletiva no início da tarde, Raí de Souza, de 22 anos, um dos seis suspeitos identificados e dados como fugitivos, se entregou à Polícia Civil. Raí já tinha admitido em depoimento ter sido o responsável pela divulgação do vídeo com a adolescente na internet. A Polícia ainda procura Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, jogador de futebol do Time Boa Vista, e apontado como namorado da jovem, e Marcelo Miranda Correa, suspeito de divulgar imagens da adolescente. Também estão foragidos Raphael Assis Duarte Belo, que surge em uma foto nas redes sociais fazendo selfie com a jovem desacordada na cama; além de Sérgio Luiz da Silva Júnior, o “Da Rússia”, que segundo a Polícia é o chefe do tráfico no Morro do Barão, onde aconteceu o crime, e Michel Brasil da Silva, também suspeito de divulgar o vídeo.

    Tags:
    adolescente, estupro coletivo, Polícia Civil, Brasil, Rio de Janeiro
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