12:39 17 Novembro 2019
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    Embaixada dos Estados Unidos no Brasil

    Qual é missão do novo embaixador dos EUA no Brasil?

    © AFP 2019 / EVARISTO SA
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    De acordo com Mikhail Belyat, professor da Universidade Russa de Humanidades, a principal missão do novo embaixador dos EUA no Brasil será ajudar o governo de Michel Temer a resolver a crise política no país.

    Em entrevista à agência Sputnik, Mikhail Belyat afirmou que a nomeação do novo embaixador norte-americano está relacionada, primeiramente, com a mudança do quadro político no Brasil.

    ​Ele também expressou a preocupação por causa do agravamento da situação política e econômica no Brasil, afirmando que ela era fruto dos últimos acontecimentos, que a presidente afastada Dilma Rousseff qualificou como um golpe de Estado.

    “Agora o Brasil entra em uma época muito complicada e desestabilizada no âmbito do chamado ‘golpe de Estado’, de acordo com Dilma Rousseff, ou ‘medidas constitucionais’, de acordo com o Departamento de Estado dos EUA. O preço destes acontecimentos é uma desestabilização séria no país. Como o exemplo da gravidade da crise atual, posso recordar que nesta semana o presidente interino Michel Temer pediu ao Senado para aprovar o déficit de orçamento de 48 bilhões de dólares para o ano que vem. É um enorme buraco no orçamento. Mas ao mesmo tempo quero assinalar que o buraco também existiu há dois meses, quando Dilma exercia plenamente as funções de presidente do país. E ela pediu as Senado para fazer a mesma coisa, mas com uma diferença: o buraco era duas vezes menor. Então, durante os dois meses a situação econômica no país piorou tanto que o déficit do orçamento aumentou duas vezes”, disse o cientista político.

    Nestas circunstâncias vem o novo embaixador estadunidense, Peter Michael McKinley, diplomata de carreira, que ao longo da sua vida trabalhou em países “difíceis” para os EUA.

    “Nos seus últimos lugares, McKinley trabalhava como embaixador na Colômbia, onde está em andamento a guerra do governo com os narcotraficantes e a crise nas relações com a Venezuela. Depois ele estava encabeçando a missão diplomática dos EUA no Afeganistão. O que também não foi fácil. Do meu ponto da vista, ele é uma ‘pessoa da gestão da crise’ americana. Ele é diplomata de carreira, por isso e um profissional imparcial sem emoções, uma pessoa que deve ‘faxinar’ no Brasil ou, pelo menos, ajudar o novo governo a fazer isso”, disse Mikhail Belyat.

    O analista também afirmou que o novo governo enfrenta uma escolha muito difícil: ou “perder tudo”, porque a situação política e econômica no país esta piorando drasticamente, convocando novas eleições extraordinárias, ou tentar permanecer no poder, de acordo com a legislação nacional, para mostrar a prontidão e vontade de concorrer às eleições de 2018.

    “Do meu ponto da vista, a principal missão do novo embaixador estadunidense será ajudar o novo governo brasileiro e Michel Temer, em particular, a consolidar o sucesso de afastamento do governo de Dilma e resolver a grave crise politica e econômica no Brasil”, acrescentou o analista.

    O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, indicou Peter Michael McKinley como o novo embaixador americano no Brasil no fim da tarde de quarta-feira (25).

    Peter Michael McKinley tem 62 anos e é diplomata de carreira, tendo entrado no Departamento de Estado em 1982. A Bolívia foi o primeiro país em que serviu. O seu último cargo foi no Afeganistão. Antes disso havia passado pela Colômbia, Peru, União Europeia, Uganda, Moçambique, Bolívia e Reino Unido.

    O diplomata tem uma relação estreita com a América Latina. Filho de pais americanos nascido na Venezuela, ele passou parte da infância no Brasil e no México. Ele é pós-graduado em Estudos Latino-Americanos pela Universidade de Oxford e é autor do livro Pre-Revolutionary Caracas: Politics, Economy and Society, 1777-1811, publicado em 1985.

    Ele também já ocupou cargos no gabinete do Subsecretário Regional de Assuntos Políticos, no escritório da África Austral e no Centro de Inteligência e Pesquisa do Departamento de Estado. O Itamaraty já confirmou sua indicação, que deve passar sem problemas pelo Senado.

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    novo governo, crise política, golpe de Estado, orçamento, embaixador, Embaixada dos EUA, Barack Obama, Peter Michael McKinley, Dilma Rousseff, Michel Temer, México, América Latina, Reino Unido, Bolívia, Uganda, União Europeia, Peru, Colômbia, Afeganistão, EUA, Brasil
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