14:53 13 Dezembro 2017
Ouvir Rádio
    José Serra, novo titular da pasta do Itamaraty

    Serra devolve favores

    © AFP 2017/ MAURICIO LIMA
    Brasil
    URL curta
    Brasil entre Temer e Dilma (110)
    391417

    O primeiro destino do chefe da diplomacia é sempre considerado muito importante, pois indica as prioridades do governo no palco internacional. A visita de Serra a Buenos Aeres, além de ser bastante tradicional, é logica no âmbito do apoio dado pelo novo governo argentino ao processo de impeachment de Dilma.

    Já no seu discurso de posse o novo chanceler afirmou o caráter preferencial atribuído às relações com Buenos Aires, dado que os países passam a “compartilhar referências semelhantes para a reorganização da política e da economia”. A primeira visita oficial de Serra ao estrangeiro tem obviamente motivação política: assegurar ao principal parceiro do Brasil que o governo interino Temer é legítimo e que o processo de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff é constitucional.

    Entretanto, na agenda estão sem dúvida também aspetos econômicos, já que a Argentina é um dois maiores parceiros comerciais do Brasil. Além disso, os dois países integram o Mercosul, que segundo Serra também precisa de reajuste. Além da flexibilização das regras do Mercosul, que permitam avançar com acordos bilaterais com outros países e blocos, a crise na Venezuela estará em pauta.

    O chanceler brasileiro, como sempre, é bem vindo na capital argentina. A chanceler Susana Malcorra cancelou sua viagem à Turquia e adiou a ida ao México só para encontrar-se com José Serra. O tucano será recebido ainda pelo presidente Maurício Macri. 

    A política externa anunciada por José Serra durante a cerimônia de posse na quarta-feira passada está em sintonia com a visão do governo Macri, que também quer construir pontes entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico, integrado por Chile, Peru, Colômbia e México. Esta articulação entre os blocos económicos diminuiria o peso político do Brasil no continente e prejudicaria o Mercosul como zona de livre comércio.

    Já nas ruas, Serra é menos popular do que nos corredores do poder. Um grupo de cerca de 50 pessoas aguardava o novo titular da pasta do Itamaraty na portaria da embaixada brasileira em Buenos Aires com cartazes chamando ele de golpista e bolinhas de papel, fazendo referência à campanha presidencial de 2010, quando o candidato tucano passou por uma tomografia depois de ser atingido por uma bola de papel na cabeça.

    Na sexta-feira, oito organizações de Direitos Humanos emitiram uma nota de repúdio ao que chamam de "golpe institucional" no Brasil. Para hoje (23) estão previstas mais manifestações de brasileiros contrários à destituição da Dilma na capital argentina.

    O ídolo de futebol argentino Diego Maradona já manifestou no sábado seu apoio a Dilma e Lula, aparecendo no seu facebook segurando a camisa da seleção brasileira com o nome de Lula e o número 18 nas costas, em referência às eleições presidenciais de 2018, quando o petista pretende candidatar-se de novo ao cargo presidencial.

    “Um soldado de Lula e Dilma Rousseff”, escreveu Maradona em três idiomas: espanhol, italiano e inglês.

    Tema:
    Brasil entre Temer e Dilma (110)

    Mais:

    Venezuela nega retaliação ao afastamento de Dilma
    Itamaraty criticou declarações de 5 países sobre a crise no Brasil
    Serra elogia apoio dos EUA ao impeachment
    Parlamentares latino-americanos criticam ausência de mulheres no governo Temer
    Opinião: Nomeação de ministros deve ser feita com cautela
    Tags:
    relações econômicas, relações bilaterais, diplomacia, comércio bilateral, economia, Casa Rosada, Aliança Pacífico, Mercosul, Susana Malcorra, Mauricio Macri, Diego Maradona, José Serra, Buenos Aires, Argentina, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik