18:33 19 Junho 2019
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    Presidenta Dilma Rousseff durante declaração para apoiadores do lado de fora do Palácio do Planalto
    Roberto Stuckert Filho/PR

    Dilma diz que teve governo sabotado e pede que brasileiros sigam mobilizados

    Brasil
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    Após ser comunicada oficialmente sobre o seu afastamento, Dilma Rousseff fez um pronunciamento à imprensa no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira (12), ao lado de ex-ministros, aliados e assessores. Ela alertou que o que está em jogo no processo de impeachment é o respeito as urnas e as conquistas sociais dos últimos 13 anos.

    No discurso Dilma reafirmou que seu governo foi vítima de uma “intensa e incessante” sabotagem por parte da oposição, o que criou um ambiente favorável ao golpe.

    “Desde que fui eleita parte da oposição inconformada pediu recontagem de votos, tentou anular as eleições e depois passou a conspirar abertamente pelo meu impeachment. Mergulharam o país no estado permanente de instabilidade política, impedimento a recuperação da economia com um único objetivo de tomar a força o que não conquistaram nas urnas. Meu governo tem sido alvo de intensa e incessante sabotagem. O objetivo evidente vem sendo me impedir de governar e assim forjar o meio ambiente propício ao golpe.”

    Dilma classificou o impeachment como uma farsa jurídica, porque  não aceitou e nunca aceitará chantagem de qualquer natureza. A Presidenta afirmou que pode ter cometido erros, mas que não cometeu crime e garantiu que vai continuar lutando.

    “Não cometi crime de responsabilidade. Não há razão para um processo de impeachment. Não tenho contas no exterior. Nunca recebi propinas. Jamais compactuei com a corrupção. Jamais vamos desistir. Jamais vou desistir de lutar.”

    Segundo Dilma, “o maior risco para o País nesse momento é ser dirigido por um governo sem voto, um governo que não foi eleito pela manifestação direta da população, não terá a legitimidade para propor e implementar soluções para os desafios que o País enfrenta.”

    Já do lado de fora do Palácio do Planalto, Dilma ao lado de Lula, de apoiadores e ex-ministros, voltou a discursar para os manifestantes pró governo, e lamentou que o país esteja vivendo um momento trágico.

    “Hoje para mim é um dia muito triste. A tristeza é porque nós hoje vivemos uma hora que eu vou chamar de hora trágica do nosso país. A jovem democracia brasileira está sendo objeto de um golpe. Eu chamo esse processo de golpe, porque o impeachment sem crime de responsabilidade é um golpe.” 

    Para o povo, a presidenta afastada também disse que está sofrendo a dor da injustiça e da traição.

    “Traição e injustiça são talvez as mais terríveis palavras, que recaem sobre uma pessoa, e esta hora agora, este momento que nós estamos vivendo, é o momento em que as forças da injustiça e da traição estão soltas por aí.”

    Dilma Rousseff encerrou discurso pedindo união e que os brasileiros continuem mobilizados, pois a capacidade de resistência do povo brasileiro demonstrada nos últimos meses, em manifestações pelo País dão a certeza de que a população vai dizer não ao golpe.

    “Tenho certeza que juntos nós vamos nos manter unidos, mobilizados pela Paz. Nós somos aqueles que sabem lutar a luta cotidiana, que sabem resistir e não desistem nunca.”

    Durante o tempo em que ficará afastada, Dilma Rousseff pretende manter uma agenda político e econômica através de reuniões com aliados no Palácio da Alvorada, viajando e participando de eventos. Ela quer se manter o mais atuante possível junto aos setores da economia diante da possibilidade de reassumir o mandato.

    Tags:
    agenda, manifestação, impeachment, mobilização, Senado Federal, Palácio do Planalto, Brasília, Brasil
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