07:57 14 Dezembro 2019
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    Procurador-geral da República, Rodrigo Janot

    Janot pede inquérito contra Lula e Dilma por delação de Delcídio, mas 'esquece' Temer

    Elza Fiúza/ Agência Brasil/FotosPúblicas
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    O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar Lula, Dilma e o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, por suspeita de obstrução da Lava Jato, com base na delação do senador Delcídio do Amaral. Porém, apesar de também ser citado, o vice-presidente Michel Temer não entrou na berlinda.

    Presidente da Câmara dos Deputados – Eduardo Cunha
    Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
    Segundo apurou a Folha de S. Paulo, a linha de investigação solicitada por Janot segue a delação premiada de Delcídio, que implica 74 pessoas – entre elas o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o senador Aécio Neves, sendo que ambos já voltaram à mira do procurador, que pediu recentemente abertura de inquérito contra os dois. 

    Porém, o vice Michel Temer – citado por Delcídio como o responsável pela indicação de dois executivos da Petrobras que acabaram condenados na Lava Jato por corrupção (a saber, João Augusto Henriques e Jorge Zelada) – permanece livre das suspeitas de Janot.     

    Lula seria investigado por supostamente ter tentado comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró. Para o procurador-geral da República, o petista deve ser incluído ainda no principal inquérito da Lava Jato, ao lado de mais 29 pessoas. 

    Dilma, por sua vez, a dias da votação decisiva no Senado que definirá seu futuro e o futuro da nação, seria investigada por suposta obstrução de Justiça, na tentativa de nomear o ex-presidente como ministro chefe da Casa Civil, sendo auxiliada por Cardozo nos supostos esforços para “tumultar” a Lava Jato.  

    Caberá ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, decidir se aceita ou não o pedido de inquérito. 

    Veja a seguir as notas divulgadas na noite de terça-feira (3) pelo Instituto Lula e pela Advocacia-Geral da União:

    Nota do Instituto Lula

    Só existe um crime evidente neste episódio: a gravação clandestina e divulgação ilegal de um telefonema da presidenta da República.

    Mais grave ainda é que este crime tenha sido praticado por um juiz federal, afrontando não apenas a Lei mas uma decisão do Supremo Tribunal Federal.

    As conversas telefônicas do ex-presidente Lula, grampeadas pela Operação Lava Jato, são a prova cabal de que não houve ilegalidade nem obstrução à Justiça em sua nomeação para o ministério pela presidenta Dilma Rousseff.

    Nesses diálogos particulares, com pessoas de sua confiança, Lula contou ter recebido um apelo da presidenta para ajudá-la a tirar o país da crise. E afirmou, textualmente: “eu jamais aceitaria ser ministro para me proteger”.

    Mesmo no grampo da conversa entre Lula e a presidenta – que por sua origem espúria não pode ser aceito como prova contra nenhum dos dois – não há nenhuma palavra que denote ilegalidade ou obstrução à Justiça.

    Há um diálogo sobre a assinatura do termo de posse, como foi esclarecido anteriormente pela Presidência da República.

    A gravação ilegal indesculpável é que deveria merecer a ação da Procuradoria Geral da República, em defesa da lei e do estado de direito.

    Nota da Advocacia Geral da União

    Tendo em vista as informações divulgadas pela imprensa de que a Procuradoria Geral da República determinou a abertura de inquérito para apurar as denúncias do Senador Delcidio do Amaral acerca de eventual obstrução de justiça, o advogado geral da união, José Eduardo Cardozo, esclarece que:

    1- As denúncias feitas pelo Senador Delcidio do Amaral são absolutamente levianas e mentirosas, conforme  já foi reiteradamente esclarecido anteriormente em notas e entrevistas coletivas.

    2- A abertura de inquérito irá demonstrar apenas que o Senador, mais uma vez, faltou com a verdade, como aliás já anteriormente havia feito quando mencionou ministros do Supremo Tribunal Federal na gravação que ensejou a sua prisão preventiva.

    3- Lamenta-se apenas que, mais uma vez, um inquérito sigiloso tenha sido objeto de vazamento antes mesmo que quaisquer investigações pudessem ser feitas em relação às inverdades contidas na delação premiada do Senador.

    *Sputnik tentou ouvir a palavra de Rodrigo Janot sobre o assunto, e recebeu de sua assessoria a informação de que “o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não tem atendido a pedidos de entrevista”.

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    Tags:
    Operação Lava Jato, investigação, inquérito, Procuradoria Geral da República, Instituto Lula, Advocacia Geral da União, STF, Petrobras, Nestor Cerveró, Delcídio Amaral, Aécio Neves, Michel Temer, Teori Zavascki, Rodrigo Janot, José Eduardo Cardozo, Lula, Eduardo Cunha, Brasil
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