16:46 21 Agosto 2017
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    Michel Temer (foto de arquivo)

    Temer adotará política de privatizações generalizadas se assumir presidência

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    Na expectativa de assumir a presidência, em virtude de um eventual impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, Michel Temer já está com tudo pronto para instaurar o governo neoliberal tão sonhado pelos seus parceiros, conforme alertou em entrevista à Sputnik a especialista em desenvolvimento econômico Maria Beatriz de Alburquerque David, da UERJ.

    Enquanto se discute no Senado Federal o processo que pode culminar na saída da chefe de Estado democraticamente eleita, o seu vice vai articulando nos bastidores um programa que poderá transformar profundamente o atual rumo da política econômica atual. Nesta sexta-feira, o jornal O Globo divulgou trechos de um documento que teria sido organizado pela equipe do peemedebista prevendo a privatização de "tudo o que for possível", com o objetivo de resolver "a maior crise da História". 

    Para Albuquerque, professora de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), se Temer assumir a presidência da República, o Brasil terá um cenário "positivo para o mercado financeiro e para os empresários", mas isso não significa que isso será bom para a maioria da população. Pelo contrário, ela destaca que "será muito difícil evitar um aumento de impostos" para que "os cofres do Estado arrecadem o suficiente para aliviar a recessão econômica".

    De acordo com O Globo, o programa do vice-presidente tem como foco as concessões e as chamadas parcerias público-privadas, "buscando um ambiente melhor com a iniciativa privada para investimentos". Embora o PMDB se comprometa, no texto, a manter os programas sociais criados pelas gestões do PT, para não prejudicar o povo, a docente da UERJ argumenta que esse eventual governo, com seus planos neoliberais, não conseguirá realizar reformas econômicas sem que estas afetem diretamente o mercado de trabalho, já que "muitos direitos dos trabalhadores estão na economia". 

    Segundo a especialista, qualquer movimento na economia para fazer algo contra a crise "é melhor do que a situação atual, na qual o governo não pode tomar nenhum tipo de decisão" por causa da crise política, que dificulta qualquer possibilidade de atuação por parte de Dilma Rousseff. No entanto, ela acredita que a tentativa de privatização não será a melhor saída, uma vez que Temer precisará gerar confiança nos mercados, a nível internacional, o que não será capaz de fazer em tão pouco tempo. 

    "Temer está formando um governo que será mais radical na área econômica do que o do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardozo", advertiu Maria Beatriz de Alburquerque David.

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    Tags:
    crise, trabalhadores, economia, PMDB, PT, O Globo, UERJ, Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff, Michel Temer, Maria Beatriz de Alburquerque David, Brasil
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