20:22 22 Julho 2019
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    Ato contra o impeachment em Brasília

    De Cuba à Argentina, países da América Latina repudiam golpe de Estado no Brasil

    Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil/FotosPúblicas
    Brasil
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    Pedido de impeachment de Dilma Rousseff (132)
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    A aprovação da abertura do pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados repercutiu fortemente nos países vizinhos da América Latina. De Cuba à Argentina, a maior parte dos governos regionais têm manifestado preocupação com os rumos políticos do Brasil.

    Cuba

    O Ministério das Relações Exteriores de Cuba condenou “energicamente o golpe de Estado parlamentar que está em marcha no Brasil", qualificando o processo de impeachment como um ataque baseado em "acusações sem provas ou fundamentos legais, contra a legitimidade de um governo eleito nas urnas pela maioria do povo".

    Destacando o papel que o Brasil desenvolveu nos últimos anos dos governos Lula e Dilma,  como um "influente ator internacional" e um "promotor da unidade e da integração latino-americana e caribenha", Havana também ressaltou que o golpe no Brasil é dirigido contra os BRICS, "que desafiaram a hegemonia do dólar norte-americano".  

    Bolívia

    O presidente boliviano Evo Morales manifestou apoio a Dilma e escreveu, em seu Twitter, um “não ao golpe do Congresso [brasileiro]”, pedindo a defesa da democracia no Brasil, bem como de sua liderança regional e da estabilidade da América Latina.

    Anteriormente, Evo já havia declarado que as forças de direita no continente queriam “castigar” o ex-presidente Lula para que um dirigente sindical nunca mais voltasse a ocupar a liderança máxima da nação.

    ​"Como já não podem aplicar ditaduras militares, agora usam os instrumentos da democracia ocidental para tirar Dilma do governo e processá-la, e inabilitar Lula para que não volte a ser presidente”, disse o mandatário, em reunião com mineiros na Bolíva.

    Venezuela

    O líder venezuelano Nicolás Maduro compartilhou fotos de manifestações contra o impeachment e escreveu que “a direita do continente desconhece a Soberania Popular”. Além disso, questionou a legalidade do processo e acusou o parlamento brasileiro de atuar “como um lacaio do Império”, em referência à influência dos EUA.

    “A presidente Dilma chegou ao poder com 54 milhões de votos, hoje 437 gorilas a ameaçam por ordem yankee”, escreveu Maduro em um post no Twitter.

    Anteriormente, o presidente venezuelano já havia denunciado o “golpe de Estado midiático e judicial” contra Dilma e contra Lula, e disse que “vários presidentes latino-americanos” estavam “muito preocupados” com a situação no Brasil.

    Uruguai

    Em comunicado, a chancelaria uruguaia manifestou seu “total respaldo à presidente Dilma Rousseff” e encorajou “os diferentes atores envolvidos a atuar responsavelmente e com lealdade institucional” para superar a crise política.

    "Fiel defensor do princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros Estados, mas ao mesmo tempo respeitoso do Estado de Direito e dos valores democráticos, o Uruguai confia que as diferenças internas existentes no Brasil serão resolvidas no marco do regime democrático", afirmou a chancelaria do país, que ocupa atualmente a presidência temporária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Mercosul. 

    Equador

    O presidente do Equador, Rafael Correa, disse que a instabilidade política no Brasil é druto de um “novo plano Condor” contra os governos progressistas na região (referência à aliança político-militar entre as ditaduras sul-americanas e a CIA nas décadas de 1970 e 1980, formada para coordenar a repressão a opositores e eliminar líderes da esquerda).

    "Você acha que isso é casualidade? É o novo plano Condor contra os governos progressistas", declarou Correa em rede nacional de televisão, acrescentando que "já não se precisa mais de ditaduras militares, se precisa de juízes submissos, se precisa de uma imprensa corrupta que inclusive se atreva a publicar conversas privadas, o que é absolutamente ilegal".

    Argentina

    Segundo observa o jornal El País, “o presidente argentino Mauricio Macri vive um momento delicado, no qual começa a sofrer importantes protestos sociais, e não lhe interessa nada um Governo no Brasil não eleito pelas urnas sobre o qual o kirchnerismo possa alimentar a ideia, já levantada na semana passada pela ex-presidenta Cristina Kirchner, de que todo o continente enfrenta um ‘golpe neoliberal’".

    ​Apesar das diferenças ideológicas entre Macri e Dilma, as relações econômicas entre os dois países ocupam um lugar central na agenda bilateral. Na medida em que se veem ameaçadas pela instabilidade política, alimentam, portanto, a preocupação de Buenos Aires quanto à manutenção da constitucionalidade em Brasília.   

    "As instituições têm que resolver os problemas através dos canais institucionais. (Dilma) Rousseff foi eleita por um mecanismo democrático e só um mecanismo democrático, institucional, pode mudar isso", disse a chanceler argentina, Susana Malcorra, acrescentando que seu país trabalha com seus “colegas da Unasul para fixar uma posição como bloco”.

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    Tags:
    instabilidade, democracia, constituição, golpe de Estado, crise política, impeachment, golpe, Operação Condor, Câmara dos Deputados, PT, CIA, Rafael Correa, Nicolas Maduro, Evo Morales, Mauricio Macri, Lula, EUA, Argentina, Equador, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Cuba, Brasil, América Latina
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