19:36 23 Outubro 2018
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    Ato dos Movimentos Sociais em Defesa da Democracia, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo
    Paulo Pinto/ Agência PT

    CUT promete mobilização nacional e não reconhecer Temer na Presidência

    Brasil
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    Os movimentos sociais começam a se articular e a convocar militantes após a Câmara dos Deputados ter aprovado no domingo (18), por 367 votos a 137, o pedido de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. Uma das entidades que prometem maior mobilização é a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

    “O resultado da votação de domingo não é diferente da composição da Câmara dos Deputados, que é a pior dos últimos 70 anos. Embora [o resultado] tenha sido acima do esperado, a CUT está se mobilizando” – revela o secretário de Relações Internacionais da Central, Antônio Lisboa.

    O dirigente é enfático também em relação à hipótese de o Senado acatar o pedido de impeachment, o que levaria ao afastamento da Presidenta Dilma pelo prazo de 180 dias – necessário à investigação das denúncias de crime de responsabilidade fiscal – e à assunção do Vice-Presidente Michel Temer.

    “Não reconheceremos o eventual Governo Temer, caso venha a ocorrer, como Governo legítimo. A CUT está orientando suas bases a não sair das ruas. Ontem [domingo] estivemos com muito mais gente do que aqueles que atuam como fascistas no Brasil estiveram. As ruas voltaram a ser da classe trabalhadora” – garante Lisboa.

    O secretário destacou ainda que, com relação ao Senado, já a partir de terça-feira começará a atuação de convencimento junto aos senadores. “Caso legitimem o golpe que foi dado pela Câmara dos Deputados, eles também serão responsáveis por se transformarem em cadáveres políticos da história. Vamos manter a mobilização da classe trabalhadora e garantir que a Presidenta Dilma se mantenha no Governo em respeito aos votos que ela teve” – diz.

    Lisboa diz que a CUT não trabalha em qualquer conjuntura com um único cenário.

    “O cenário B – a aceitação do golpe por parte do Senado – fará com que a CUT vá às ruas denunciar os golpistas, já incluindo os senadores que votarem pelo golpe, denunciando ao mundo inteiro, aliás, o que já viemos fazendo nos últimos dias e continuaremos fazendo. E não sairemos das ruas. Não vamos reconhecer o Governo Temer como um Governo legítimo, e vamos continuar mostrando à classe trabalhadora que o golpe não é contra Dilma e sim contra os trabalhadores, os direitos humanos, os direitos das minorias da população brasileira” – explica Lisboa.

    Também segundo Antônio Lisboa, a entidade espera reunir milhões de pessoas nas ruas durante a realização de uma assembleia nacional de luta pela democracia e pelos direitos no dia 1.º de maio.

    Tags:
    movimentos sociais, presidência, impeachment, mobilização, CUT, Michel Temer, Dilma Rousseff, Brasil
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