05:44 21 Setembro 2018
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    Presidente do Brasil, Dilma Rousseff
    © REUTERS / Adriano Machado

    Consultoria americana ignora tendência de apoio latino-americano ao Governo Dilma

    Brasil
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    Consultorias americanas especializadas em política, discretas até agora em comentários sobre o agravamento da crise política no Brasil, começam a elaborar estudos, afirmando que o processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff segue obedecendo à Constituição e estando sob a correta supervisão do Judiciário.

    Contrariando as manifestações enviadas até agora por diversos países à Presidenta Dilma, o estudo prevê que não haverá uma reação coordenada de Governos da América Latina em apoio ao atual Governo. O trabalho, porém, omite os apoios expressados até agora por Venezuela, Bolívia, Equador, Peru, Nicarágua, Cuba e até mesmo pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

    Ao mesmo tempo, o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso compartilha a opinião do Inter-American Dialogue. Ao participar do seminário “Desafios ao Estado de Direito na América Latina – Independência Judicial e Corrupção”, realizado em São Paulo pela Fundação Getúlio Vargas e pelo Bingham Centre of Rule of Law, de Londres, FHC admitiu que o processo de impeachment é violento mas não ameaça a democracia.

    “Impeachment tem que ser consequência de atos e fatos de duas dimensões: uma jurídica – a Constituição tem que dizer se aquilo é ou não crime de responsabilidade – e outra, política, se o Governo tem força ou não para governar. Quando se juntam essas coisas, é muito difícil evitar o processo, mas tem que ser dentro da regra” – alega FHC.

    O cientista político e colaborador do Instituto Atlântico, Augusto Cattoni, acredita que será muito difícil o Brasil receber o apoio de outros países que não os latino-americanos, já que os outros não têm a mesma visão do mundo de nossos vizinhos.

    “Ainda assim, outros países que não os latino-americanos vão demonstrar algum tipo de solidariedade ao Brasil porque têm instituições políticas maduras atualmente para encarar o problema, mesmo sabendo que as coisas serão difíceis até que se encontre uma solução satisfatória” – diz Cattoni.

    Quanto ao encaminhamento do pedido de impeachment ao Senado, o especialista acredita que os senadores estão agora mais sensíveis aos seus colegas da Câmara, sobretudo com o placar alcançado no domingo. Ele também não acredita em uma reversão do atual quadro pró-impeachment, mesmo com um aumento das manifestações convocadas por movimentos sindicais.

    “Organizações [como CUT e MST] vivem em um mundo paralelo. Todas as manifestações populares a favor do impeachment foram maiores que as contrárias. Essa é uma peça de propaganda que elas repetem.”

    Tags:
    consultoria, americana, apoio, governo, impeachment, Dilma Rousseff, Brasil
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