05:20 15 Setembro 2019
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    Michel Temer durante Convênio Nacional do PMDB, em Brasília, em 12 de março de 2016
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    Jaques Wagner: Se Governo derrubar o impeachment, só resta a Michel Temer a renúncia

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    Pedido de impeachment de Dilma Rousseff (132)
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    Um dia após o resultado da votação da Comissão Especial do Impeachment, que aprovou por 38 votos a 27 o parecer favorável para a abertura do processo contra a Presidenta Dilma Rousseff, o Governo e a oposição tentam conquistar aliados para a votação no Plenário, prevista para terminar no domingo (17).

    Em conversa com a mídia, o ministro-chefe do Gabinete Pessoal da Presidente, Jaques Wagner, disse que o Governo vai continuar trabalhando para garantir um resultado positivo no Plenário da Câmara. Wagner disse que o resultado foi dentro do esperado pelo Governo e que não se confirmou a certeza da oposição de que alcançaria a grande maioria de votos. O ministro ainda parabenizou os 27 deputados que votaram contra o parecer.

    “A gente já está trabalhando, conversando, fortalecendo, agradecendo e parabenizando os 27 deputados que eu considero heróis da democracia” – diz.

    A meta do Governo agora, de acordo com Jaques Wagner, é chegar aos 213 votos no Plenário.

    O ministro ainda comentou o vazamento do áudio do Vice-Presidente Michel Temer, falando como se a Presidenta Dilma já tivesse sido afastada do cargo. Wagner chamou o áudio de ação produzida que só deixa clara a face golpista do vice-presidente. “Eu acho que macula sua própria história, rasga uma fantasia e assume o papel que antes poderia estar escondido, de patrocinador e maior beneficiário desse golpe parlamentar, desse golpe dissimulado”

    Se o Governo derrubar o impeachment na votação de domingo, 17, Jaques Wagner pensa que a única saída que vai restar ao vice-presidente será renunciar ao cargo.

    “Depois de assumir a conspiração, o mínimo de coerência com o que ele [Michel Temer] fez é, uma vez derrotada a conspiração, ele renunciar, porque vai ficar um clima absolutamente insustentável, insuportável. Não tem como, né? O mínimo que ele teria que fazer é ter pelo menos não sei se a grandeza, ou a inteligência, do então Vice Itamar Franco, que esperou, como ele deveria ter esperado, que a consequência do impeachment viesse a colocá-lo na cadeira na qual o povo não o colocou. Mas ele se precipitou. E, a exemplo daquela carta que já ficou famosa na política brasileira [a carta de Temer a Dilma], agora não foi a carta, foi o WhatsApp falado, onde eu acho que se quebra qualquer respeito pela liturgia."

    O Ministro Wagner espera que, se o processo do impeachment for barrado após a votação de domingo, os parlamentares se comprometam com o Brasil e ajudem a lutar por uma agenda positiva que reconstrua a economia e o crescimento do país.

    “Espero que, depois de domingo, encerrado e barrado esse processo do impeachment, o bom senso volte a reinar. Após esse processo, não cabem rancor e raiva, ao contrário cabe compromisso com o Brasil, com a nossa gente, com a economia brasileira, e que enterrem esse processo que tem atrapalhado o Brasil nos últimos 15 meses, que é da busca incessante da derrubada da presidente, e nós passamos a tentar uma agenda propositiva que resgate o crescimento econômico e gere emprego, porque é disso que o pessoal precisa.”

    Já para Romero Jucá, presidente em exercício do PMDB, partido do vice-presidente, o que foi falado por Temer no áudio, independentemente de ter se tornado público, mostra apenas uma demonstração de equilíbrio, tranquilidade e preparo político diante de um processo de impeachment em andamento, demonstrando preocupação com o país, e portanto não deve ser levado de forma negativa.

    Tema:
    Pedido de impeachment de Dilma Rousseff (132)

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    renúncia, impeachment, Michel Temer, Jaques Wagner, Dilma Rousseff, Brasil
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