10:07 15 Dezembro 2017
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    Dilma Rousseff recebe no Palácio do Planalto convidadas para o “Encontro com Mulheres em Defesa da Democracia”
    Roberto Stuckert Filho/ PR

    Mulheres em Defesa da Democracia repudiam machismo e discriminação contra Dilma

    Brasil
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    Pedido de impeachment de Dilma Rousseff (132)
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    Sob palavras de ordem como “não vai ter golpe, vai ter luta” e “no meu país eu boto fé, porque ele é governado por mulher”, mulheres da política e representantes de movimentos sociais e sindicais estiveram presentes nesta quinta-feira, 7, no Palácio do Planalto, em um ato de apoio ao mandato da presidente e contra o processo de impeachment.

    Em seu primeiro pronunciamento após a entrega na Comissão da Câmara do parecer favorável ao processo que pede seu afastamento, Dilma agradeceu o apoio das mulheres brasileiras que como ela têm o orgulho de ser mulheres, e ressaltou que tinha consciência de que o encontro não era em apoio a ela, mas àquilo que ela representa, que é o Estado Democrático de Direito.

    “Vocês, com a energia, com as declarações, com essa força, me trazem muita confiança”, afirmou a representantes de organizações como as Marchas das Margaridas, Mundial das Mulheres e das Mulheres Negras, além da Central Única dos Trabalhadores (CUT), entre outras.

    Dilma Rousseff chamou a atenção para o fato de que o Brasil hoje precisa de um grande pacto de entendimento nacional para superar a atual crise político-econômica. 

    “Nós precisamos, sim, de um pacto. Eu quero o entendimento nacional, porque governo para todos os 204 milhões de cidadãs e cidadãos. Portanto, a intolerância e o ódio não servem a um Governo responsável. Desde que assumi o segundo mandato, busco, busquei e buscarei consensos capazes de nos fazer superar toda e qualquer crise.”

    De acordo com a presidente, para conseguir esse pacto é preciso respeitar o resultado das urnas, dar fim às pautas-bomba no Congresso Nacional, que aumentam os gastos públicos, além da unidade pela aprovação de reformas, a permanência de todos os direitos conquistados pelos trabalhadores, a retomada do crescimento da economia e a imprescindível e urgente reforma política.

    “Esse é o pacto que eu busco: trabalhar para superar a crise, voltar a crescer e agir para entregar ao meu sucessor um Brasil muito melhor no dia 1.º de janeiro de 2019.”

    Dilma ainda enfatizou que aqueles que tentam promover um golpe de Estado no Brasil devem saber que são imensos os riscos a que submeterão o país.

    “Tentar derrubar uma presidente eleita sem que tenha cometido crime de responsabilidade, que justifique o impeachment, é um insulto a todos os eleitores. É um insulto aos 110 milhões de brasileiras e brasileiros que reconhecem a eleição direta como maneira certa e legal de eleger os governantes. É isso que caracteriza o golpe.”

    Dilma repudiou ainda os ataques que vem recebendo por parte de alguns veículos da mídia, que a retratam como uma mulher descontrolada por estar sob pressão. A presidente previu que os próximos dias serão difíceis por conta de “vazamentos seletivos e oportunistas” na imprensa, e informou que já determinou ao ministro da Justiça, Eugênio Aragão, a apuração e responsabilidade pelos vazamentos recentes ligados às delações de investigados na Operação Lava Jato, pois, segundo a presidente, a situação já passou de todos os limites.

    Com a voz embargada, Dilma lamentou o preconceito e a discriminação sobre a mulher no poder, e afirmou que todas as mulheres devem lutar contra esse machismo banal. A presidente lembrou que esteve três anos presa ilegalmente, quando foi torturada, e depois enfrentou um câncer, e mesmo assim nunca perdeu o controle.

    “Eu estou enfrentando desde a minha reeleição a sabotagem de forças contrárias e mantendo o controle, o eixo e a esperança. Eu não perco o controle, não perco o eixo, não perco a esperança, porque eu sou mulher. É por isso, porque eu sou mulher, porque me acostumei a lutar por mim e pelos que eu amo. Amo a minha família, amo o meu país, amo meu povo. Sempre lutei, sempre continuarei lutando.”

    Dilma finalizou afirmando: “Sou o que tenho de ser, para lutar pelos meus direitos e pelos direitos do meu povo. Para lutar pelas liberdades, pela democracia!”

    Durante as manifestações em apoio à presidente, Sônia Maria Coelho, representante da Marcha Mundial das Mulheres, enfatizou a intolerância e a violência pelas quais Dilma Rousseff vem passando, e afirmou que o processo de impeachment é golpe à democracia.

    “E nós queremos aqui repudiar a violência que tem sofrido a Presidenta Dilma, com os ataques machistas, racistas. Nós somos parte dessas mulheres que estão nas ruas dizendo que não vai ter golpe. Nós mulheres feministas temos confiança nesse Governo, porque também temos confiança na nossa luta, no projeto de igualdade que nós queremos e vamos construir neste país, apesar de essa elite racista tentar impedir que a presidente trabalhe e tentar interditar o seu Governo a todo momento.”

    Já Vilma Reis, da Marcha das Mulheres Negras, ao declarar apoio à presidente contra a abertura do processo de impeachment, afirmou que qualquer movimentação que se faça para tentar tirar a presidente do cargo é uma afronta à Constituição. “Entendemos que o resultado do pleito que elegeu a Presidenta Dilma Rousseff tem que ser respeitado, uma vez que representou o voto da maioria dos brasileiros, e que qualquer movimentação  que se faça para destituí-la desse direito é uma afronta à Constituição e tem que ser impedida e repudiada com vigor. Repudiamos a forma machista, sexista e misógina com que a presidente da República, desde a eleição e a reeleição, tem sido tratada no Parlamento brasileiro, pela mídia e por parte considerável do Judiciário brasileiro.”

    Nas últimas semanas, Dilma recebeu o apoio de artistas, juristas, intelectuais e representantes de movimentos sociais em defesa da democracia e da permanência de seu mandato.

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    Pedido de impeachment de Dilma Rousseff (132)

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    Tags:
    não vai ter golpe, pautas-bomba, crescimento econômico, golpe de Estado, democracia, impeachment, crise econômica, Congresso Nacional, CUT, Dilma Rousseff, Brasília, Brasil
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