19:25 25 Setembro 2017
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    José Serra, à direita do centro na foto, acompanha um discurso na conferência que reuniu professores portugueses e políticos brasileiros em Lisboa

    'Havia dois climas distintos' no evento com Aécio Neves e Jorge Viana em Lisboa

    © AP Photo/ Armando Franca
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    Vladimir Kultygin
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    Em entrevista à Sputnik, brasileiro que estava presente na conferência sobre Constituição e Crise na Universidade de Lisboa comenta como foi o clima no evento.

    No seu Twitter, o jornalista Lucas Rohan postou uma mensagem com vídeo dizendo que havia, na quinta-feira, um total de 100 manifestantes na entrada da universidade da capital portuguesa. A maioria deles eram brasileiros residentes em Portugal. Protestaram — segundo eles — contra o golpe e a favor da democracia no Brasil.

    A conferência começou os seus trabalhos na terça-feira, dia 29 de março. Vários vídeos postados no YouTube mostram manifestantes abordando os participantes brasileiros, nomeadamente o senador José Serra e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, tachando-os de "golpistas" e gritando palavras de ordem como "golpistas, fascistas não passarão".

    Perguntado sobre se as manifestações afetaram o decurso do evento em si, Lucas Rohan respondeu o seguinte:

    "Não, dentro do auditório não dava para ouvir os gritos do lado de fora. Os manifestantes até deram a volta na Universidade para gritar de uma entrada secundaria, mais próxima do auditório, mas pelo que soube, não interferiram no evento".

    Geralmente, frisa Rohan, "o certo é que havia dois climas distintos: do lado de dentro, a equipe preocupada com uma improvável invasão ou ato de protesto".

    "A mim mesmo perguntaram se não iria protestar lá dentro. Óbvio que não, respondi. Do lado de fora, cerca de 100 manifestantes brasileiros de esquerda gritavam palavras de ordem contra quem estava presente. O senador Aécio Neves foi o principal alvo deles. Também lembraram muito do senador José Serra ao defender o pré-sal", prosseguiu.

    Sobre o teor das conversas, é difícil distinguir entre necessidade e promoção política. Existe a opinião no Brasil de que a oposição brasileira presente no evento usou o mesmo para ganhar mais pontos políticos, e não para discutir problemas.

    "Então, claro, cada um falou de acordo com o que acredita. O próprio senador Jorge Viana [do Partido dos Trabalhadores — PT, também presente na conferência] me disse que mudou o tema de sua apresentação no seminário depois que soube do grande número de líderes da oposição presentes", disse Lucas Rohan.

    Aécio Neves, do PSDB, e Jorge Viana, do PT, tiveram a oportunidade de conversar durante a conferência na Universidade de Lisboa, em 31 de março
    © AP Photo/ Armando Franca
    Aécio Neves, do PSDB, e Jorge Viana, do PT, tiveram a oportunidade de conversar durante a conferência na Universidade de Lisboa, em 31 de março

    "Os temas das apresentações foram todos dos problemas atuais do Brasil e isso inclui uma crise política. No entanto, não creio que o evento foi pensado com esse propósito", ressalta o jornalista.

    Mais cedo nesta semana, um dos organizadores da conferência já afirmara que o evento era isento de qualquer patrocínio. Mas ficou politizado no Brasil; não é nenhum segredo que a maioria dos participantes brasileiros são defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

    Em sua matéria para a Mídia Ninja, Lucas Rohan disse que o primeiro dia da conferência reuniu cerca de 200 manifestantes. O ato foi organizado, segundo ele, pelo Coletivo de Brasileiros Residentes em Portugal.

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    Tags:
    impeachment, Universidade de Lisboa, Dilma Rousseff, Aécio Neves, José Serra, Brasil, Portugal, Lisboa
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