03:52 24 Fevereiro 2020
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    Nem todo o PMDB sai do Governo: alguns ministros resistem

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    Apesar da decisão do Diretório Nacional do PMDB de romper com o Governo Federal, oficializada na terça-feira, 29, alguns dos ministros do partido ainda resistem à determinação de entregar seus cargos.

    A maior resistência em sair do Governo Dilma tem sido demonstrada pela ministra da Agricultura, Kátia Abreu, que, em sua página numa rede social, afirmou que não só vai permanecer no cargo como também pedirá licença do PMDB para se manter à frente de sua pasta.

    Até aqui, o único peemedebista a entregar seu cargo foi Henrique Eduardo Alves, que na noite da segunda-feira, 28, comunicou à Presidenta Dilma Rousseff que estava abrindo mão do Ministério do Turismo em nome da fidelidade que mantém ao PMDB, partido ao qual é filiado há 46 anos.

    Alguns outros chegaram a esboçar a renúncia, porém não a concretizaram até este momento.

    Em razão destes fatos, Sputnik Brasil ouviu o cientista político Carlos Pereira, professor da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, que disse acreditar numa breve resolução de todas essas pendências. “É só uma questão de tempo”, disse Pereira, para quem o PMDB já não tem mais condição alguma de continuar integrando o Governo de Dilma Rousseff.

    O Professor Carlos Pereira acredita que o PMDB vá punir os ministros que se recusam a deixar os cargos. “A sinalização do Diretório Nacional foi bastante crível. Com esse desembarque, o PMDB entra numa zona de não reversão. Não é mais vantagem para o partido conceder, uma vez que a Presidência, para o PMDB, está bastante próxima.”

    O professor da FGV ressalta que com a saída do PMDB do Governo este se transforma, necessariamente, num Governo minoritário. “A literatura sobre impeachments bem-sucedidos no mundo aponta que essa é uma condição necessária para que o impeachment ocorra. Para além de se ter uma crise econômica, que nós já temos; para além de se ter um escândalo de corrupção, que nós já temos; e para além de ter mobilizações em massa em prol do impeachment, que nós já temos, é necessário um rompimento da base de sustentação do Governo. Com a saída do PMDB se configura formalmente esse rompimento da base.”

    “As quatro condições necessárias para que o impeachment ocorra já estão dadas”, conclui o Professor Carlos Pereira, “e consequentemente é muito difícil que o PMDB, após tomar uma atitude tão drástica, nesse nível, retroaja no sentido de ser complacente com seus membros, aceitando uma convivência plural, estando dentro do Governo e ao mesmo tempo dentro do partido. Acredito que o partido vai colocar para a frente essa decisão.”

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    Tags:
    governo, PMDB, FGV, Carlos Pereira, Kátia Abreu, Henrique Alves, Dilma Rousseff, Brasília
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