00:54 22 Setembro 2019
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    Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
    Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

    Dilma conta com Lula como remédio contra a crise político-econômica

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    Mudanças no Governo Dilma Rousseff. Após longa reunião nesta quarta-feira, 16, no Palácio da Alvorada, o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitou o convite da presidente e é oficialmente agora o novo ministro da Casa Civil, no lugar do Ministro Jaques Wagner, que assume a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência da República.

    Através de nota, a Secretaria de Comunicação Social do Governo também anunciou que o deputado federal pelo PMDB Mauro Ribeiro Lopes será o novo ministro da Secretaria de Aviação Civil.

    Em coletiva de imprensa, a presidenta Dilma destacou a solidez da sua relação com Lula e disse que a nomeação não tem como objetivo impedir que ele seja investigado, afirmando que a presença do ex-presidente em Brasília fortalecerá o seu governo.

    "A minha relação com o Lula é uma sólida relação de quem construiu um projeto de governo . A ida de um presidente, ministro, deputado ou senador não significa que ele não será investigado, significa por quem ele será investigado".

    Para a oposição, Lula como ministro é uma manobra política para tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, em que o ex-presidente está no foco, e fugir do julgamento do Juiz Federal Sérgio Moro, em Curitiba,  já quem como ministro, Lula passa a ter foro privilegiado no STF – Supremo Tribunal Federal.

    Após o anúncio da nomeação de Lula para a chefia da Casa Civil, o líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), conversou com a imprensa e garantiu que o ex-presidente assume o cargo para ajudar o Governo a superar esse momento de forte crise política, com o processo de impeachment contra a Presidenta Dilma sendo discutido no Congresso Nacional, e também da crise econômica pela qual passa o país.

    Florence afirmou ainda que Lula como ministro não irá afetar o curso das investigações da Justiça Federal:

    “O foro privilegiado nunca foi e nunca será o motivo de obstaculização de investigações. Nós não temos nenhuma incidência, e nem pretendemos, ao ter o ex-Presidente Lula como ministro no curso das investigações. Os Governos do Presidente Lula e da Presidenta Dilma sempre patrocinaram todas as investigações. O ex-Procurador-Geral da República Roberto Gurgel fez questão de fazer esse registro, dizendo que os Governos anteriores não o tinham feito, e que os Governos do Presidente Lula e da Presidenta Dilma trataram a Procuradoria-Geral da República como estadistas, respeitando a sua autonomia. Continuará a ser dessa forma. Agora, temos um ministro-chefe da Casa Civil com uma larga experiência, testado e aprovado na política e na gestão, para ajudar o Brasil a sair da crise econômica e da crise política.”

    Afonso Florence também não acredita que o ex-Presidente Lula está enfraquecido após as delações do Senador Delcídio do Amaral, que acusa Lula, Dilma, o Vice Michel Temer e o senador da oposição Aécio Neves em situações de desvio de dinheiro, irregularidades em contratos e favorecimento de políticos, ações investigadas pela Operação Lava Jato.

    “As citações a Lula e a Dilma não configuram nenhuma sequer remota ilegalidade, diferentemente do que ele disse em relação a integrantes da oposição”, diz o deputado pela Bahia. “Não tem nada a ver a delação premiada com as investigações em curso. O Presidente Lula como ministro da Casa Civil continuará como fez como Presidente – e como tem feito a presidente –, a contribuir para que todas as investigações sejam feitas de acordo com o devido processo legal.”

    Florence destacou ainda que é preciso dar fim à crise política para que o país volte a ter o crédito de bom pagador das agências internacionais de risco, e que a experiência de Lula vai ajudar a dar andamento às medidas que o Governo tenta emplacar para que o Brasil volte a crescer. 

    “Temos que superar a crise política. As agências de rating rebaixaram as notas do Brasil alegando crise política. A crise política não se justifica, não há motivo para impeachment, não se sustenta juridicamente a proposta de impeachment, e já há indicadores positivos e medidas governamentais para a retomada da atividade econômica, do emprego e da renda. Temos convicção de que com a liderança do ex-Presidente Lula na Casa Civil essas medidas ganharão celeridade, ganharão liderança política, e o Governo e o país poderão juntos, indistintamente, independentemente da disputa política eleitoral que deve ocorrer em 2016, nas eleições municipais, e em 2018, nas eleições gerais. Nós precisamos rodar a economia, e para isso temos que superar a crise política.”

    Já no Senado, a ida de Lula para o Governo foi criticada pelo Senador  Álvaro Dias (PV-PR) como uma perda de poder da Presidenta Dilma e porque a nomeação de Lula seria para dar a ele o foro privilegiado caso precise responder a uma ação penal.

    “Todos nós sabemos qual é a razão dessa nomeação”, diz Álvaro Dias. “É conquistar foro privilegiado em razão das denúncias contra o ex-presidente. A posse do Presidente Lula no Ministério esvazia a atribuição de competência da Presidenta Dilma. É como se ela estivesse encerrando o seu segundo mandato e o Presidente Lula iniciando o seu terceiro mandato de presidente da República.”

    Antes mesmo da nomeação de Lula para o Governo, líderes da oposição no Senado se articularam e decidiram entrar com ações populares na Justiça Federal dos Estados para tentar impedir que o ex-presidente assuma a chefia da Casa Civil.

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    Tags:
    oposição, crise econômica, delação premiada, Procuradoria Geral da República, Casa Civil, PMDB, Justiça Federal, STF, PT, Sérgio Moro, Afonso Florence, Delcídio do Amaral, Aécio Neves, Michel Temer, Luiz Inácio Lula da Silva, Lula, Dilma Rousseff, Curitiba, Brasília, Brasil
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