07:17 23 Outubro 2019
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    Margaret Chan, diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS) com a Presidenta Dilma Rousseff em Brasília.
    Lula Marques/ Agência PT

    Especialista sobre o zika vírus: ‘Não devemos falar em pânico, mas em precaução’

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    A médica chinesa Margaret Chan, diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS), está no Brasil. A convite do Governo brasileiro, veio se inteirar das iniciativas adotadas no país para o combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus. Médico recomenda precaução mas sem pânico.

     Margaret Chan, que esteve em Brasília, Pernambuco (o Estado mais atingido pelos casos de microcefalia, supostamente causados pelo zika vírus) e Rio de Janeiro, não poupou elogios, afirmando jamais haver visto tamanha determinação num Governo para o combate ao mosquito transmissor de tantas doenças.

    O médico Antônio Braga, professor de Obstetrícia das Faculdades de Medicina das Universidades Federal Fluminense e Federal do Rio de Janeiro, endossa as palavras da diretora da OMS e diz que o Brasil está obtendo grandes avanços nas pesquisas para o tratamento das doenças e transtornos causados pelo zika vírus.

    “Desde a implementação do SUS – Sistema Único de Saúde, a área de vigilância e controle de endemias e epidemias, de grandes surtos e doenças de notificação, tem propiciado ao Brasil forte e interessantes indicadores que permitem modular as políticas de saúde pública em nosso país”, afirma o Dr. Braga. “Não seria de outra forma que relatos surgidos no Nordeste, mais especificamente no Estado de Pernambuco, permitiram que um alerta nacional fosse emitido a fim de que se monitorassem os casos de recém-nascidos com microcefalia e se aprofundasse a discussão acerca da relação entre a infecção do zika vírus na gravidez e o surgimento de conceptos com malformações neonatais.”

    Sobre a questão de o zika vírus estar provocando pânico na população, Antônio Braga diz que “é importante salientar que não devemos falar em pânico, mas em precaução. Parece muito lógico que as mulheres grávidas queiram se prevenir da picada do mosquito Aedes Aegypti, não apenas para evitar a já conhecida infecção da dengue, que muito mal causa às grávidas, mas também a febre chikungunya e agora a questão do zika vírus”.

    Segundo o médico Antônio Braga, é importante que haja essa prevenção, e “o uso de repelentes é uma ferramenta da maior importância nessa estratégia”.

    “É claro que, como vivemos numa economia de mercado, certamente aproveitadores sem sensibilidade social estão inflacionando o preço dos repelentes, fazendo com que haja até um mercado especulativo e que não se restringe apenas às farmácias. Hoje existem até negociações online de grandes grupos de venda pela internet, que especulam e aumentam muitas vezes o preço desses produtos.”

    O Dr. Antônio Braga adverte, também, para o surgimento de produtos caseiros ou de formulações ditas “piratas” que não têm selo nem de qualidade nem de eficácia, sendo popularmente recomendados pela internet e que muitas vezes não conferem a proteção indicada. “Alguns desses produtos sem o menor controle podem, inclusive, carrear substâncias tóxicas que prejudiquem não apenas as gestantes como também os seus fetos.”

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    Tags:
    repelentes, microcefalia, Aedes Aegypti, zika, Chikungunya, gravidez, dengue, SUS, OMS, Pernambuco, Brasília, Brasil
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