03:01 29 Outubro 2020
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    Congresso reabre com questões explosivas: impeachment de Dilma e cassação de Cunha

    Brasil
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    O Congresso Nacional iniciou os trabalhos de 2016 nesta terça-feira, 2. Como preveem os analistas políticos, este será um ano muito agitado, até mesmo mais agitado do que foi 2015. E este ano legislativo herda questões explosivas não resolvidas no anterior.

    No ano passado o Parlamento brasileiro debateu, entre outras polêmicas questões, a possibilidade de instauração de um processo de impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff e a possível cassação do mandato do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por quebra de decoro parlamentar e por sucessivas denúncias de corrupção.

    Para o Deputado Afonso Florence (PT-BA), Dilma Rousseff saberá superar as discussões em torno do seu mandato e ainda conseguirá aprovar no Congresso Nacional as medidas de interesse do Governo para a recuperação da economia nacional. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil o deputado baiano diz que “a oposição, não se conformando com o resultado da eleição presidencial de 2015, abriu uma campanha pelo impeachment que encontrou terreno fértil no fato de que o impacto da crise econômica mundial no Brasil ocasionou algum desemprego, uma redução da atividade econômica, que está sendo combatida pelo Governo, mas que levou, de fato, a um impacto econômico e ao desgaste da presidente”.

    “O fator econômico”, afirma o Deputado Florence, “foi utilizado pela oposição para levar adiante a proposta de impeachment, que foi acatada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que responde a processos com provas robustas sobre práticas de ilícitos, quando ele, chantageando o Governo, tentou não acatar a proposta de impeachment, na medida em que o Governo e o PT o blindassem, o que não aceitamos.”

    O Deputado Afonso Florence diz ainda que “o nosso objetivo é enterrar a tentativa de golpe constitucional para então termos ambiente político para os investidores e para os movimentos sociais, para a plena liberdade democrática e a retomada da atividade econômica. Esperamos que o Congresso foque sua atividade na superação da crise econômica”.

    Sessão solene do Congresso Nacional para abertura dos trabalhos legislativos do segundo ano da 55ª Legislatura
    Lucio Bernardo Jr./ Câmara dos Deputados

    Já o Deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) está convencido de que Dilma Rousseff não encontrará facilidades neste ano legislativo, uma vez que, a seu ver, estão criadas as condições para que seu afastamento da Presidência venha a ser concretizado.

    Sobre a questão do Deputado Eduardo Cunha, Otávio Leite comenta que “o presidente da Câmara já devia ter se licenciado há muito tempo, ter deixado a Presidência da Casa e ter cuidado de se defender junto à Comissão de Ética e junto ao Tribunal”.

    “É incompatível que Eduardo Cunha prossiga presidindo as sessões no Parlamento ao mesmo tempo em que sobre ele são imputadas graves, severas acusações de ilícitos, e que muitos deles já viraram processos ao nível do Supremo Tribunal Federal. Acho que a Comissão de Ética tem que avançar e colocar em votação o afastamento e a cassação do mandato dele.”

    Em relação ao impeachment, o deputado do PSDB carioca afirma que o processo próprio “hoje está obstruído, paralisado, em função da decisão do Supremo Tribunal Federal, que definiu um rito que está sendo questionado”.

    “Estamos aguardando o esclarecimento do STF sobre como esse processamento interno deve se dar. É óbvio que há fundamentação política muito sólida, mas para se alcançar o afastamento da presidente serão necessários 341 votos na Câmara, o que, confesso, não é fácil”, conclui o Deputado Otávio Leite.

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    Tags:
    comissão de ética, Presidente da Câmara, liberdade, eleição, golpe de Estado, impeachment, economia, Parlamento, Supremo Tribunal Federal, Câmara dos Deputados, Congresso Nacional, PSDB, PT, Afonso Florence, Eduardo Cunha, Dilma Rousseff, Brasil
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