10:46 26 Janeiro 2021
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    411
    Nos siga no

    O Brasil declarou guerra ao Aedes aegypti, prometendo eliminar o máximo de criadouros do mosquito transmissor de doenças como zika vírus, que pode causar microcefalia em crianças, dengue e febre Chikungunya.

    Uma semana após o Ministro da Saúde, Marcelo Castro, declarar que o país estava perdendo a batalha contra o mosquito, e um dia após a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciar a criação do comitê de emergência para avaliar epidemia do vírus zika, a Presidenta Dilma Rousseff, acompanhada por sete ministros, incluindo Castro, se reuniu nesta sexta-feira (29), por videoconferência, na Sala Nacional de Coordenação e Controle para Enfrentamento da dengue, chikungunya e víruz zika, em Brasília, com governadores de cincos estados do país (Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia) para discutir ações de combate ao Aedes Aegypti.

    No final da reunião, Dilma disse à imprensa que não houve polêmica com o ministro da Saúde pela declaração dada, e reafirmou que enquanto o mosquito continuar se reproduzindo, o Brasil estará mesmo perdendo a luta.

    “Diziam que o ministro da Saúde, Marcelo Castro, falou que nós estávamos perdendo a luta contra o mosquito. E nós estamos perdendo a luta contra o mosquito, porque enquanto o mosquito reproduzir-se, todos nós estamos perdendo a luta contra o mosquito. Nós temos que nos mobilizar para ganhar a luta. Por que criar um problema com a constatação da realidade? Dizer que nós estamos perdendo é porque nós queremos ganhar”.

    O Nordeste do Brasil é o que mais preocupa, pois concentra 86% dos mais de 4 mil casos registrados de microcefalia. Pernambuco é o estado que possui o maior número de notificações suspeitas da doença, 1.125, além de ter a terceira maior incidência de dengue por mil habitantes. A Paraíba já é o estado que tem o segundo maior número de casos notificados de microcefalia, em investigação ou confirmados, sendo 497. No Rio de Janeiro, que tem 122 casos notificados em investigação, há uma preocupação extra por causa do carnaval, em fevereiro, e dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, em agosto e setembro.

    O COI, Comitê Olímpico Internacional, anunciou que irá intensificar as orientações para proteger atletas e turistas do zika vírus durante as Olimpíadas. O Comitê informou que já está trabalhando em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e com as autoridades brasileiras para garantir a segurança de todos nos Jogos.

    Ao ser questionada pela imprensa sobre os recursos para o combate ao mosquito, diante da crise econômica no Brasil, Dilma Rousseff afirmou que neste caso não haverá contingenciamento, e garantiu que não vão faltar verbas para a luta contra o Aedes aegypti.  

    “Não pode faltar dinheiro para essa questão. Eu tenho certeza que não só o Governo Federal, o Executivo, considera que não pode, mas eu tenho certeza que o Congresso também. Esta despesa é uma despesa que tem a ver com a saúde pública no país. Então, ela não sofre contingenciamento, nem limites. Nós temos que usar todos os nossos recursos para combater”.

    Segundo a presidenta, durante a reunião com os governadores, Geraldo Alckmin, governante de São Paulo, anunciou que os pesquisadores do Instituto Butantã devem começar na próxima segunda-feira os testes com a vacina para o zika vírus.

    Enquanto isso, mutirões de combate ao mosquito, com o apoio das Forças Armadas, seguem acontecendo por todo o país. O Governo Federal promoveu nesta sexta-feira um dia de mobilização em prédio públicos, em Brasília, para eliminar possíveis focos do inseto. E Dilma chegou a acompanhar a ação dos militares pelos ministérios.

    As companhias elétricas também anunciaram que vão auxiliar no combate. Em coletiva à imprensa, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, explicou que além de realizar as leituras dos relógios das residências, os funcionários de companhias elétricas vão também detectar e informar online onde se encontram possíveis focos do mosquito para a erradicação pelas autoridades de saúde. Mensalmente, os leituristas visitam cerca de 70 milhões de imóveis residenciais e comerciais no país.  

    “Nós temos um aparelho nas mãos desses leituristas, com o qual eles poderão instantaneamente, online, marcar o ponto do GPS onde estão esses focos de suspeita, e assim encaminharmos, através da Central de Computação das distribuidoras, para as centrais que estão sendo instaladas pela Defesa Civil, pelo Ministério da Saúde, pelas Secretarias de Saúde estaduais e municipais para o combate ao Aedes Aegypti”.

    De acordo com Braga, as empresas do setor também vão atuar na conscientização da população através de mensagens de prevenção, como, por exemplo, “O mosquito que mata não pode nascer”, que serão colocadas nas contas de luz e gás, informando os riscos que o mosquito traz para a saúde.

    “Nós estaremos tanto na conta de luz quanto na conta de gás demonstrando e informando ao consumidor quais os sintomas, como febre, dor de cabeça, que podem ser a questão do zika, do chikungunya ou da dengue”.

    De acordo com o último boletim divulgado na quarta-feira (27) pelo Ministério da Saúde, foram confirmados no Brasil 270 casos de ligação do zika vírus à microcefalia, doença que provoca a malformação do cérebro do bebê durante a gestação. Outros 3.448 casos suspeitos de microcefalia ainda estão sendo investigados.

    A Organização Pan-Americana da Saúde estima que o continente americano deve chegar até 4 milhões de casos de zika até o final de 2016.

    Mais:

    Método russo pode diagnosticar vírus da zika em poucas horas
    OMS convocará reunião urgente dedicada à propagação do Zika
    Não investigar riscos do zika após sua descoberta na África foi descaso da indústria
    Tags:
    Chikungunya, dengue, zika, Aedes Aegypti, OMS, Instituto Butantan, COI, Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Ministério da Saúde, Marcelo Castro, Geraldo Alckmin, Dilma Rousseff, Bahia, Paraíba, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, América, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar