08:38 20 Janeiro 2021
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    O Governo inicia a agenda de trabalho de 2016 com muitos desafios nas áreas política e econômica. A Presidenta Dilma Rousseff, no entanto, se mostrou otimista em suas mensagens de Ano Novo nas redes sociais e em artigo publicado na mídia. Há motivo para otimismo?

    Ao descrever o momento político que o país atravessa, Dilma ressaltou em seu artigo na “Folha de S. Paulo” que, mesmo injustamente questionada pela tentativa de impeachment, não alimenta mágoas nem rancores. E afirmou que o Governo vai fazer de 2016 um ano de diálogo com todos os que desejam construir uma realidade melhor.

    O cientista político Leonardo Paz Neves, professor do Ibmec-Rio e coordenador do Cebri – Centro Brasileiro de Relações Internacionais, comentou para Sputnik Brasil as falas da presidente, e diz que o diálogo é fundamental para o Governo Dilma e para se chegar a um consenso pela retomada do crescimento do Brasil.

    “A postura da presidente nesse primeiro momento do ano é necessária para uma melhor comunicação com a sociedade, porque no ano passado ela teve uma grande dificuldade de comunicar-se, não só com a sociedade, mas na negociação dentro das esferas do poder, dentro do próprio Governo, do Legislativo”, analisa o cientista político. “Inclusive, ela já indicou que vai  retomar o famoso Conselhão do Lula, para tentar juntar os Ministérios, a sociedade civil e o setor empresarial, a fim de buscar soluções um pouco mais consensuais em relação a possíveis saídas para a crise em que o país se encontra hoje e que é tanto uma crise política quanto econômica.”

    Sobre as medidas em estudo pelo Governo para tirar o país da crise, entre as quais a reforma política e a da Previdência, o Professor Leonardo Paz Neves acredita que a expansão do diálogo pode fazer com que o Governo se beneficie e consiga aprovar as propostas, não só aquelas duas mas também as reformas fiscal e trabalhista.

    “Em qualquer democracia tem que haver o diálogo com os diversos setores. A falta de diálogo nós já vimos que não deu certo. Dilma nunca pareceu ser uma pessoa muito talentosa no diálogo, e por isso assistimos a episódios muito difíceis no Congresso, quando ela não conseguia conversar muito bem com os diversos setores.”

    Já em relação às afirmações do ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, que disse em sua conta no Twitter que o Governo vai conseguir enterrar o processo de impeachment em andamento na Câmara, o cientista político do Ibmec e do Cebri diz concordar com esse pensamento.

    “O Governo tem conseguido dar conta dessa questão no Congresso, porque, primeiramente, o STF ‘comprou’ um pouco o discurso do Governo e conseguiu reorganizar o rito do impeachment, enfraquecendo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e fortalecendo a situação da Presidenta Dilma. Da maneira que a gente olha hoje para o cenário da distribuição do poder, penso que tende a enfraquecer Eduardo Cunha e fortalecer o Governo. Então o processo de impeachment parece mesmo que não andará muito, como está confiante o Ministro Jaques Wagner. A probabilidade de haver impeachment tem decrescido.”

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    Tags:
    governo, impeachment, PT, Eduardo Cunha, Dilma Rousseff, Brasil
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