13:35 10 Dezembro 2018
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    Vice-presidente do Brasil, Michel Temer, ao lado da Presidenta Dilma Rousseff

    Especialista critica posição de Michel Temer em se colocar como alternativa a Dilma

    Brasil
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    A semana no Brasil foi de discussões e análises sobre a atual relação entre a Presidenta Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer, e o futuro político entre os dois líderes e os seus partidos, PT e PMDB.

    No dia seguinte ao da conversa entre Dilma e Temer na quarta-feira (9), o vice-presidente pregou para empresários de Porto Alegre a união política. A pergunta que fica é: que tipo de união política será essa, em torno da Presidenta Dilma ou de uma possível liderança de Michel Temer?

    Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, Antônio Marcelo Jackson, cientista político e professor do Departamento de Educação e Tecnologias da Universidade Federal de Ouro Preto, Minas Gerais, analisa o discurso de união política feita pelo vice-presidente como falta de consciência de Temer sobre seu papel na política brasileira.

    Para o Professor Jackson, se observarmos os vice-presidentes de 1990 até agora, eles são, sim, figuras que estão à sombra do presidente da República – um dos fatores citados por Michel Temer na carta enviada à Presidenta Dilma, ao dizer que se sentia um vice decorativo e desprezado pelo Governo.

    O professor citou como exemplo o momento de crise na época do Governo de Fernando Collor, em que o vice, Itamar Franco, nunca tentou se colocar como solução para o país, como Temer tenta agora.

    “Eu não me recordo de em momento algum Itamar Franco se apresentar à imprensa como opção clara, desde o início, a um presidente que estava em crise e que não possuía base parlamentar nenhuma. Quando Michel Temer faz esse discurso em Porto Alegre, ficou abismado com sua inacreditável capacidade de perder a noção do seu papel na política brasileira. O que fica evidente é a grande expectativa de Michel Temer pelo impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, ou seja, ele fala, se posta e já se apresenta como futuro presidente da República, sem que o próprio processo de impeachment tenha sido iniciado. Isso é assustador.”

    Para Antônio Marcelo Jackson, parece que o vice-presidente e o PMDB, desde o fim da eleição de 2014, que a Presidenta Dilma ganhou com uma pequena margem de votos em relação ao candidato Aécio Neves – e na sequência vieram os protestos do PSDB contra o Governo –, Temer e o PMDB se aproveitam da imagem desgastada da presidente, e Michel Temer tenta surgir como um salvador da pátria.

    “Michel Temer e o próprio PMDB deixam que o PSDB faça seus protestos e crie uma espécie de desgaste da imagem de Dilma Rousseff, até chegar a um ponto em que todos comecem a concordar que o PSDB não vai assumir poder algum, pouco importando o que vai ser feito da presidente. Feito isso, já com a imagem presidencial desgastada, Michel Temer começa a desejar aparecer como um provável sucessor, até porque, como vice, assumiria no impedimento da presidente. Esse raciocínio dele faz com que, no afã dessa ambição de poder que ele adquiriu ou que já tinha mas não havia deixado claro de uma maneira tão evidente assim, ele cria esse fato político que foi a carta.”

    De acordo com o especialista, o grande problema de Michel Temer é que nessa possível manobra o vice-presidente não contava que o tiro sairia pela culatra e acabou se tornando motivo de chacota entre os brasileiros.

    “O problema todo é que eu acho que ele não fez um cálculo muito preciso, pois talvez não contasse com a reação de deboche da própria sociedade, porque até mesmo os críticos de Dilma Rousseff começaram a rir da carta de Temer. O resultado foi tão desastroso para ele próprio, que ele teve que recuar, e daí esse encontro na quarta-feira (9) com a Presidenta Dilma.”

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    Tags:
    vice-presidente, impeachment, PMDB, PSDB, Antônio Marcelo Jackson, Michel Temer, Fernando Collor, Dilma Rousseff, Brasil
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