08:46 18 Janeiro 2020
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    Opinião: Acordos bilaterais são alternativa para a retomada da economia brasileira

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    Entra em vigor a partir de 1 de janeiro de 2016 o acordo de livre comércio da área automotiva assinado entre Brasil e Uruguai. O economista e professor do Ibmec-Rio e da Fundação Dom Cabral, Gilberto Braga, vê a nova parceria como um passo importante para as duas economias voltarem a crescer.

    Segundo Gilberto Braga, apesar de Brasil e Uruguai integrarem o Mercosul, a questão automotiva não fazia parte das regras de livre comércio do bloco.
    “É um dos setores dos segmentos econômicos do Mercosul em que os países precisam fazer negociações diretas. O Brasil sempre teve acordos com o Uruguai, mas sempre foram acordos mais modestos. Então, a assinatura deste acordo representa muito, porque é um mercado com grande potencial de expansão, sobretudo para as exportações de veículos e autopeças brasileiros. E este acordo prevê que as peças serão vendidas entre os países sem imposição tributária, num momento de crise econômica, em que todos os indicadores nacionais são ruins, e a indústria dá sinais de encolhimento.”
    Ao ser questionado se esse pode ser o primeiro passo para um acordo automotivo também com os outros países que integram o bloco Mercosul, como já acontece entre Brasil e Argentina e agora também com o Uruguai, o economista analisa, de forma otimista, que este acordo mostra que o Brasil saiu do estado de letargia em que estava diante da crise político-econômica no país e busca caminhos autônomos, independentemente de soluções coletivas. “Esse acordo possibilita à indústria brasileira de veículos um novo potencial de desenvolvimento.”
    Gilberto Braga acredita que o comércio de veículos entre Brasil e Uruguai pode ultrapassar os US$ 600 milhões de negócios somados em 2014.
    “Este ano, até outubro, tivemos US$ 500 milhões, ou seja, ainda não computamos novembro, e temos dezembro em curso. É bastante provável que, pela média anual, nós tenhamos um crescimento em torno de 20% neste ano de 2015 em relação a 2014. Para 2016 é preciso levar em consideração que em 2015 o dólar teve um impacto bastante ponderável na economia brasileira, ou seja, o produto brasileiro ficou mais barato em moeda estrangeira, e isso certamente vai permitir que a quantidade de unidades vendidas deslanche nas relações entre Brasil e Uruguai.”
    Pátio de montadora em São Bernardo do Campo
    Marcelo Camargo/Agência Brasil
    O economista ainda ressalta que acordos como este podem ser realmente uma alternativa positiva para reaquecer a economia brasileira: “Eu não vejo alternativa, sobretudo no momento em que nós temos uma paralisia das tomadas de decisões econômicas no Brasil, que está subjugado ao calendário político. Então, precisamos buscar fontes alternativas, e uma delas certamente são os acordos bilaterais. Este acordo firmado agora com o Uruguai vem nessa direção, e certamente este pode ser um dos caminhos para deslanchar a economia brasileira.”

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    Tags:
    Mercosul, Gilberto Braga, Uruguai, Brasil
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