08:54 16 Janeiro 2019
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    Treinamento com cães farejadores de explosivos

    Polícia treina cães farejadores de explosivos para Jogos Olímpicos

    Salvador Scofano/BAC
    Brasil
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    O esquema de segurança dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, contará com 85 mil homens e será o maior já montado no país em todos os tempos.

    Em meio a todo esse aparato está o BAC – Batalhão de Ações com Cães, unidade subordinada ao COE – Comando de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que com a proximidade das Olimpíadas está intensificado os treinamentos com seis cães, que vão ter um papel fundamental, principalmente nos locais de competições, porque eles estão sendo preparados para atuar na busca de explosivos durante o evento internacional, que começa em agosto de 2016.

    Segundo o treinador, Sargento Michel, para o trabalho durante as Olimpíadas, o BAC selecionou os cães através de diversos critérios, como, por exemplo, raça e idade. Entre os escolhidos estão Chefe e Cléo, descendentes do labrador Boss, que ficou famoso na Polícia por sua eficiência e atuação em diversas operações em comunidades do Rio de Janeiro.

    “Era um cachorro que era o nosso referencial aqui no canil, que é o Boss, e pegamos com outra que era também em excelência, que tinha um drive muito bom. Daí só pode tirar dessa ninhada cães excelentes, tanto que o Chefe e a Cléo foram diferencial, assim como outros cães foram diferencial para trabalhar em outras atividades. A Cléo e o Chefe foram designados para explosivos e já estão desempenhando muito bem esse papel. Os outros foram para armas e drogas, e também estão desempenhando muito bem esse papel”.

    Em 2012, Boss foi o responsável por localizar 300 quilos de maconha durante uma ação da polícia na comunidade de Manguinhos, na Zona Norte da cidade, chegando a ser ameaçado por traficantes.

    A pastor belga de malinois Aba também vai atuar nas Olimpíadas. Ela já participou de varreduras de treinamento junto com os companheiros Chefe e Cléo.

    Outros três cães também estão em fase inicial de treinamento: a outra pastor belga de malinois, chamada Nala, o pastor holandês Eco e a labrador Delta, que também descende de Boss. 

    Atualmente com um ano e meio de idade, os cães foram direcionados para o treinamento com foco na busca de explosivos logo que nasceram. Segundo Michel, o treinamento é longo, e é feito diariamente. No treinamento os militares potencializam o interesse do cão pela busca ao redor do território. O sargento ressalta, no entanto, que o animal não poder ser ansioso. Ao encontrar o objetivo da busca por meio do olfato, ele deve dar um sinal passivo, não pode latir, ou tocar no objeto suspeito porque qualquer movimento mais brusco, ou som, poderá acionar o explosivo.

    “O (cão farejador) de  arma e droga é mais espoleta, mais elétrico, não que o explosivo não seja. Nós trabalhamos com essa referência do cão ter um drive de caça alto. Como a gente costuma dizer aí fora, esse cão é maluco, é muito elétrico, é esse que nós gostamos. O que vai diferenciar com o trabalho é você acalmar o cão de explosivos, é fazer um trabalho mais tranquilo, bem mais brando, porque o explosivo já é um material sensível. Nós temos que trabalhar o cão de uma maneira que ele não toque no produto, não toque onde está o produto. Então, já acalma o cão. Mas não que se vá tirar essa alegria dele de buscar, de caçar, isso nunca. Tem que ter esse 'time' certo. Esse tempo tem que ser certo para você acalmar e fazer o trabalho, tanto que o cão de armas e drogas é sempre elétrico, por isso que demora mais o treinamento de cães para explosivos”. 

    O Subcomandante do Batalhão de Ações com Cães, Major Rafel Sepúlveda, contou que o batalhão vem participando dos eventos-teste para os Jogos Olímpicos e busca parcerias para realizar mais treinamentos de varredura de explosivos com os seis cães selecionados. 

    Segundo o major, a ideia é levar os animais para locais como estádios, hotéis e embaixadas, para que se familiarizem cada vez mais com os espaços reais onde vão atuar durante os Jogos de 2016.

    “A gente trabalha sempre com atividade, tentando tornar o mais real possível. Hoje, a gente alcança excelência em busca de armas e drogas em comunidades conflagradas, e essa parte de busca de explosivos, que nós já temos os cães preparados para fazer essa varredura, os profissionais já estão preparados. Porém, a gente ainda não tem esses locais onde realmente serão os testes, porque depende ainda desse locais ficarem prontos. Em meios de transportes, seja no BRT, no metrô, em qualquer tipo de atividade que tenha esse controle de massa, seja o estádio do Maracanã, a gente já tem feito esse tipo de varredura, não só com os cães de controle de distúrbios civis, que também é possível que venham a ter, mas também essa parte de varredura, seja de explosivos ou flagra de entorpecentes”.

    O BAC pretende ainda certificar internacionalmente os cães que atuam no batalhão, para que os animais estejam habilitados para atuar em grandes eventos internacionais.

    Todo o conhecimento adquirido pelo Batalhão de Ações com Cães tem se estabelecido através de intercâmbios com unidades policiais especializadas de outros países, como Estados Unidos e França, bem como a partir da expertise de policiais experientes do próprio batalhão.

    Tags:
    explosivos, cães, Jogos Olímpicos, Batalhão de Ações com Cães, Rafel Sepúlveda, Maracanã, França, EUA, Rio de Janeiro, Brasil
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