17:33 23 Abril 2019
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    Congresso Nacional, em Brasília, Brasil
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    Governo tenta tranquilizar população após rebaixamento da nota de investimento do Brasil

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    Após a notícia de que a agência de risco Standard & Poor´s rebaixou a nota de investimento do Brasil, retirando assim o selo de bom pagador do país no mundo, a Presidenta Dilma Rousseff realizou na manhã desta quinta-feira (10) uma reunião de emergência com os ministros da coordenação política do governo para tratar do assunto.

    Especialistas afirmam que a situação diante dos investidores ainda não é tão grave, pois o país ainda tem o grau de investimento por outras duas importantes agências no mercado internacional, que são a Fitch Ratings e a Moody´s. Se o rebaixamento da nota tivesse acontecido por duas agências, os economistas alertam que aí sim a situação ficaria mais complicada, porque os investidores cobram juros mais altos dos países considerados arriscados.

    Os economistas acreditam que o deficit de R$ 30,5 bilhões no orçamento de 2016 e a crise política foram os motivos do rebaixamento da nota do país.

    Logo depois da divulgação do comunicado da agência sobre o rebaixamento da nota de investimento, na última quarta-feira (9), o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, concedeu entrevista coletiva à imprensa, tranquilizando a população brasileira, garantindo que o governo tem todos os instrumentos para atingir a consolidação da situação fiscal do Brasil e que trabalha com segurança para garantir a recuperação da economia brasileira.

    “O governo brasileiro continua a honrar todos os seus compromissos, continua a honrar todos os seus contratos. As pessoas podem ficar tranquilas. Essa não é uma notícia boa, mas é uma notícia que pode ser revertida e nós estamos trabalhando para isso. O governo brasileiro tem todos os instrumentos para resolver a situação fiscal do país. Agora, essa resolução depende de medidas legislativas, depende de um esforço conjunto”.

    Nelson Barbosa não quis comentar as consequências do rebaixamento sobre as outras agências onde o Brasil ainda tem um grau de investimento positivo.

    “Eu não vou dar um posicionamento sobre as outras agências, elas devem dar o seu posicionamento. Nós estamos focados em recuperar o crescimento da economia, e o primeiro passo para fazer isso é o reequilíbrio fiscal, seguido do controle da inflação”.

    No Congresso Nacional, os senadores repercutem com apoio e críticas ao governo sobre o rebaixamento do Brasil pela agência de investimento.

    O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que o Congresso Nacional aprovou o ajuste fiscal para evitar que o Brasil perdesse essa avaliação.

    ”A única maneira de se resolver esses problemas que afetam o Brasil é pela retomada do crescimento econômico. O ajuste fiscal foi feito, o legislativo colaborou”.

    O líder do PT, senador Humberto Costa, de Pernambuco, disse que o rebaixamento da nota de investimento brasileira não foi surpresa e já era esperado pelo governo.

    “Era uma coisa que, de certa forma, eu acho que o governo já estava contando com a possibilidade de acontecer, mas vamos continuar procurando restabelecer esse equilíbrio e equilibrar essas contas públicas”.

    Já o senador José Serra (PSDB-SP) avaliou que o ajuste fiscal feito pelo governo foi ineficaz.

    “O governo, exatamente para evitar perder o grau de investimento, adotou todas as medidas destinadas a agradar as agências e isso não funcionou”.

    O presidente do Democratas, senador José Agripino, do Rio Grande do Norte, culpou o governo pelo rebaixamento da nota de investimento do Brasil e afirmou que agora os investidores vão passar longe do país, agravando a crise econômica.

    “O governo não fez o dever de casa. Com certeza a perda do grau de investimento é pela desconfiança do investidor externo de que o governo não está tendo a capacidade de cortar a própria carne para recuperar a credibilidade. Entrando o Brasil na categoria de economia especulativa, os investidores vão passar ao largo do Brasil. Como nós não temos poupança interna, a recessão vai se agravar. Aquilo que era difícil vai ficar muito mais difícil, e o que é ruim vai ficar péssimo”.

    O líder do governo, senador Delcídio do Amaral, de Mato Grosso do Sul, se mostra otimista. Acreditando que a crise será momentânea, ele questionou a avaliação da agência de risco.

    “O governo tem todos os mecanismos para avançar e tirar fora, ou afastar essa expectativa negativa que, evidentemente, uma nota de rebaixamento traz. E o governo não pode simplesmente ignorar isso. Nós temos que trabalhar com humildade, com determinação, e virar esse jogo. A Standard & Poor´s não é a última palavra sob o ponto de vista econômico. Basta ver a bolha imobiliária americana, que levou o mundo em 2008 e 2009 àquela situação de extrema dificuldade”.

    Através de nota à imprensa, o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também afirmou que o governo brasileiro reafirma o compromisso com a consolidação fiscal. Segundo Levy, o esforço fiscal é essencial para equilibrar a economia em um ambiente global de incerteza. Ele ressaltou a necessidade de se criar condições para a retomada do crescimento do Brasil depois do fim das commodities.

    “Então a gente tem que decidir. Se a gente não tem coragem de decidir, vai empurrando, cada vez é mais caro de fazer. Não adianta fingir que não existe um problema. O país tem maturidade, já mostrou inúmeras vezes que consegue superar seus desafios”, afirmou o ministro.

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    Fitch Ratings, Standard & Poor's, Moody's, José Agripino, Delcídio do Amaral, Humberto Costa, José Serra, Nelson Barbosa, Renan Calheiros, Joaquim Levy, Brasília, Brasil
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