20:37 23 Outubro 2017
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    Médica brasileira da OMS destaca campanhas do Brasil e da Rússia no combate ao tabagismo

    Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
    Brasil
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    Arnaldo Risemberg
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    Brasil e Rússia estão entre os países que mais avanços têm alcançado no combate ao tabagismo por impor restrições e proibições ao uso dos produtos do fumo. A opinião é da pneumologista e sanitarista Vera da Costa e Silva, Chefe da Secretaria Para a Convenção Quadro Para o Controle do Tabaco, da Organização Mundial de Saúde.

    Direto de seu gabinete de trabalho em Genebra na Suíça, a médica brasileira concedeu entrevista exclusiva à Rádio Sputnik Brasil na qual destacou, além de Brasil e Rússia, outros países que têm-se destacado em medidas contra o vício do fumo como, por exemplo, a sua proibição radical em ambientes fechados. Austrália, Inglaterra, Irlanda, Canadá e Turquia fazem parte deste grupo que, na opinião da Dra. Vera da Costa e Silva, vem fazendo um grande trabalho no combate ao tabagismo e nas medidas sanitárias e administrativas adotadas com a população e em relação à indústria fumígena.

    Sobre as formas mais eficazes de combater o tabagismo, a Dra. Vera da Costa e Silva observou: "Há um conjunto de fatores que devemos apontar. Mas, sem dúvida, a mais eficiente é o aumento dos tributos sobre a indústria fumígena. Com o aumento dos impostos, os preços finais dos produtos do tabaco sobem, automaticamente, para os consumidores. Já está estatisticamente comprovado que, quanto mais caro fica o preço dos cigarros, mais o seu consumo é inibido. Além disso, há o chamado duplo ganho: ao mesmo tempo em que se reduzem os números de fumantes, este aumento da carga tributária reverte para programas de saúde, programas de proteção à população e ainda para programas de recuperação ambiental. Também devem ser levados em conta como fatores que provocam a diminuição do consumo de cigarros: a proibição radical do fumo em locais públicos, nos transportes públicos e em quaisquer ambientes fechados; a proibição radical da publicidade destes produtos: e os constantes alertas que as autoridades sanitárias e os profissionais de saúde fazem sobre os malefícios deste vício."

    Perguntada se a Organização Mundial de Saúde dispõe de estudos sobre o cigarro eletrônico e o mal que este produto possa causar, a Dra. Vera da Costa e Silva respondeu:

    "Em seu mais recente Congresso sobre esta matéria, a Organização Mundial de Saúde concluiu que as evidências ainda são insuficientes para que se obtenham conclusões definitivas. No entanto, os representantes dos países participantes deste Congresso e os membros da Organização Mundial de Saúde adotaram a posição de que é preciso ter muita cautela com esta matéria. Assim, estamos recomendando para que seja proibida a promoção e a publicidade enganosa do uso do cigarro eletrônico, e de que este produto chegue a crianças e adolescentes. Também estamos recomendando que sejam desprezadas todas as declarações em torno de possíveis "benefícios" que o cigarro eletrônico possa provocar. E o que é mais importante: estamos pedindo a atenção das autoridades de países da África porque temos evidências de que o consumo de cigarros eletrônicos por parte de crianças e adolescentes neste continente está, na verdade, mascarando o uso de outras substâncias tóxicas, ou seja, drogas. Também queremos conscientizar as gestantes para que, em hipótese alguma, utilizem este produto. O cigarro eletrônico deve ainda ser proibido em qualquer ambiente fechado. Agora, o que é mais importante ressaltar: constatamos que a indústria tradicional do fumo (tabaco) está cada vez avançando mais em direção aos fabricantes de cigarros eletrônicos, procurando absorvê-los. Qual o objetivo? Ainda não sabemos mas, de qualquer forma, estamos pedindo aos governos o máximo de atenção para com este fato."

    A Dra. Vera da Costa e Silva concedeu esta entrevista à Rádio Sputnik Brasil na sexta-feira, 16 de julho de 2015, logo após regressar de Irkutsk, na Rússia, onde participou da reunião preparatória para o encontro que os Ministros da Saúde dos países BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) terão neste segundo semestre em Moscou.

    "Fui à Rússia a convite do governo da Rússia. A mim coube apresentar um relatório sobre o consumo de tabaco nestes cinco países. O grupo Brics tem dois dos cinco países mais consumidores do mundo (Rússia e China) e tem três dos maiores países produtores e exportadores de tabaco do mundo (Brasil, Índia e China). Então, fazer um trabalho de controle sanitário com os Brics impacta não só estes países como também todos os demais com os quais eles se relacionam por serem os maiores consumidores, produtores e exportadores de tabaco em folha. Discutimos então nesta reunião de Irkutsk como tornar ainda mais eficaz este trabalho de controle e como ampliá-lo junto à comunidade internacional. A Organização Mundial de Saúde considera que fabricação, a exportação e o consumo do fumo envolvem, simultaneamente, a proteção à saúde e importantíssimas questões econômicas. Por isso, precisamos de toda a colaboração internacional no tratamento destes temas."   

    Antes de ser alçada à Secretaria Para a Convenção Quadro Para o Controle do Tabaco junto à Organização Mundial de Saúde, a Dra. Vera da Costa e Silva foi gerente da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Instituto Nacional do Câncer, e gerente também do Centro de Estudos de Tabaco e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, entidade sediada no Rio de Janeiro.

    Tags:
    tabagismo, OMS, BRICS, Vera da Costa e Silva
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