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    Presidenta Dilma Rousseff durante VII Cúpula do BRICS. (Ufa - Rússia, 09/07/2015)

    Dilma Rousseff defende na Rússia mais participação dos BRICS no FMI e na ONU

    Roberto Stuckert Filho/PR
    Brasil
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    BRICS: organização do futuro (189)
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    Em discurso na sessão plenária da 7.ª Cúpula do BRICS, realizada em Ufá, na Rússia, Dilma Rousseff destacou a importância da atuação do grupo BRICS para realavancar o desenvolvimento global e pediu mais participação dos países do bloco no Conselho de Segurança da ONU e junto ao FMI – Fundo Monetário Internacional.

    Dilma ressaltou a influência positiva do grupo BRICS na consolidação de uma ordem internacional mais equilibrada e eficaz, e falou sobre a necessidade de encontrar novos caminhos para superar a crise financeira que ainda afeta a recuperação dos países desenvolvidos e dos que estavam em crescimento, mesmo com o fim do chamado superciclo das commodities.

    “A persistência da crise passou exigir das novas políticas econômicas novas respostas, visando a retomar o crescimento proteger e aprofundar conquistas sociais”, disse Dilma. “Sabemos que chegamos ao fim do ciclo das commodities. Sabemos que ainda remanesce muita volatilidade no setor financeiro. Os emergentes, principalmente os BRICS, continuarão a ser a força motriz do desenvolvimento global. Seu peso deve se refletir nas instituições de governança internacional, o que reforça a necessidade de reformulação do Fundo Monetário decidida em 2010."

    A presidente ressaltou que esta vai ser uma das prioridades na reunião do G-20, que em 2016 será realizada na China.

    Ainda em seu pronunciamento, a presidente chamou a atenção para os muitos desafios e ameaças no cenário internacional, destacando as situações de guerra e conflitos, que para ela já não deveriam ter lugar no século XXI. 

    Dilma Rousseff afirmou que o Brasil está aberto para acolher todos aqueles que procuram uma nova pátria. Ela destacou sua preocupação com os conflitos no Oriente Médio e no Norte da África, bem como com os confrontos na Síria, no Iraque, no Iêmen e na Líbia, citando ainda a instabilidade na questão Israel-Palestina. A presidente condenou as intervenções militares e bloqueios como forma de resolver a questão da segurança. “Sabemos que intervenções militares e bloqueios não foram e não serão capazes de resolver os problemas de segurança nessas regiões e nas outras regiões conflagradas. Pelo contrário, tendem a incentivar sectarismos de diferentes matizes, fragilizar as instituições nacionais e alimentar a proliferação de armas nas mãos de atores não estatais.”

    Dilma Rousseff ressaltou que o Brasil é contra qualquer medida que viole os direitos humanos nas áreas de conflito, em especial a perseguição a minorias étnicas e religiosas, as execuções sumárias, a violência sexual, o recrutamento de crianças e a destruição do patrimônio cultural, além das  ações terroristas, que segundo ela, devem ser combatidas. E que o país defende a reformulação no Conselho de Segurança da ONU. “Reitero o repúdio inequívoco do Governo e do povo brasileiro ao terrorismo, seja de que forma possa se revestir, onde quer que ocorra, quaisquer que sejam seus atores e motivações. Esse mal deve ser combatido no marco do direito internacional, deve ser reprimido. Precisamos também atuar simultaneamente, preventivamente em suas causas estruturais. Nesta Cúpula reiteramos o compromisso do BRICS com o multilateralismo abrangente, transparente e representativo, que reflita as mudanças nas realidades de poder. O Brasil acredita que um Conselho de Segurança da ONU reformado e ampliado será mais legítimo e eficaz no exercício de garantir a paz internacional e a segurança coletiva.”

    A presidente ainda afirmou que o Brasil está aberto para discutir no âmbito do BRICS sobre outros temas estratégicos do século XXI, como governança da internet, crimes cibernéticos, migrações e o problema mundial das drogas. 

    Dilma destacou também a realização da COP 21 – Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que acontecerá no fim do ano em Paris. Lá, o Governo brasileiro defenderá um acordo com foco nas fontes alternativas e renováveis de energia. “Nós defendemos um acordo equilibrado e ambicioso, que contemple as fontes alternativas e as fontes renováveis de energia, mas que garanta também o princípio da Conferência Rio+20, que diz ser possível crescer, incluir, conservar e proteger.”

    Por fim, a Presidenta Dilma Rousseff destacou a nova agenda do desenvolvimento pós-2015, que realça a cooperação internacional em desenvolvimento sustentável. “Está em negociação na ONU uma nova agenda do desenvolvimento pós-2015, que dá início a um novo ciclo de cooperação internacional voltada para o desenvolvimento sustentável. As iniciativas lançadas pelo BRICS terão papel decisivo e muito contribuirão de modo construtivo para esse novo momento das relações internacionais. Estou certa de que o fortalecimento dos BRICS equivale a fortalecer a economia internacional e a paz entre os povos.”


    Tema:
    BRICS: organização do futuro (189)

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    Tags:
    COP 21, sétima cúpula do BRICS, G20, FMI, ONU, Dilma Rousseff, Norte da África, Ufa, Palestina, Líbia, Iêmen, Oriente Médio, Iraque, Síria, Israel, África do Sul, Índia, China, Rússia, Brasil
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