11:05 14 Dezembro 2017
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    Montagem: Joaquim Levy, Alexandre Tombini e Nelson Barbosa

    Especialista avalia as novas metas para a inflação estabelecidas pelo Governo Dilma

    Agência Brasil/Agência Câmara
    Brasil
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    Após se reunir com a equipe econômica, os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nélson Barbosa, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, a Presidenta Dilma Rousseff definiu novas metas para reduzir a inflação. O economista do Ibmec – Rio, Gilberto Braga, fala sobre as metas com exclusividade para a Sputnik Brasil.

    O CMN – Conselho Monetário Nacional anunciou nesta semana que a meta vai ser de 4,5%, com um limite máximo de 6% – limite considerado baixo em relação ao dos últimos governos desde 2001, quando Fernando Henrique Cardoso estabeleceu um teto de 5,25% para o ano de 2003. Para 2016, o Governo Dilma vai manter a regra que tem sido seguida desde 2006, que é de 4,5% com uma margem de até 6,5%.

    Para o professor do Ibmec do Rio de Janeiro e da Fundação Dom Cabral, economista Gilberto Braga, a medida tem uma sinalização simbólica de garantir ao mercado uma maior credibilidade quanto à competência da equipe econômica do Governo, além de demonstrar um futuro mais estável para os investidores. “Temos que analisar essa meta sob diversos ângulos. O primeiro é sob a ideia do comprometimento da equipe econômica e do próprio Governo Dilma com relação à austeridade fiscal, à continuidade de um pacote que começa com o reajuste que nós estamos fazendo agora, e que terá continuidade, pois a meta que mexe no que a gente chama de intervalo de variação da inflação é para daqui a dois anos. Portanto, isso sinaliza para o mercado financeiro uma ideia de continuidade, traçando um cenário de estabilidade, de tentar atrair investimentos, que é a segunda finalização dessa decisão. E o terceiro é o fortalecimento político desta equipe econômica, que de certa forma garante e diz que neste momento a Presidência da República está comprometida com este plano de ajuste fiscal, que sofre tantas críticas, sobretudo dentro da sua própria base de apoio político. Portanto, tem uma sinalização muito simbólica, e que não vai ter impacto econômico nesse momento.”

    A respeito dos impactos do ajuste fiscal do Governo sobre a população brasileira nos próximos dois anos, o economista tem uma visão positiva para o período a partir do ano que vem. “Já trabalhamos hoje com uma expectativa de que 2015 é um ano em que efetivamente vamos encolher bastante, e se pensarmos em termos de PIB, podendo chegar até algo em torno de 2%. Porém, para o ano que vem a gente acredita num quadro de reversão, e quando dizemos reversão é parar de cair e começar a subir. Então, para 2016, alguma coisa em torno de zero já é um ganho, e excepcionalmente poderemos crescer até 0,5%, ou seja, um crescimento positivo de 0,5% é algo factível para o ano que vem. E, para 2017, embora seja um horizonte para a economia longo em termos macroeconômicos, nós já acreditamos que teremos condições de crescer pelo menos acima de 0,5%, mostrando uma recuperação para o final do segundo mandato da Presidenta Dilma Rousseff.”

    Apesar das críticas às medidas do Governo, Gilberto Braga acredita que as ações são necessárias e os resultados já vão poder ser vistos em 2016. “As medidas atuais são importantes, necessárias e adequadas, embora antipopulares e com peso e ônus político muito grande para a presidente, sobretudo em relação ao seu discurso político da reeleição. Nós acreditamos, ainda, que nessa virada de semestre vamos atingir o limite de queda na economia brasileira. Vamos ficar patinando durante uns 8 meses, e em meados de 2016 começaremos a recuperar terreno.”

    Com relação à política de juros elevados para a contenção da inflação, o economista diz que o Governo não tem outra  solução. “Eu diria que o Governo não tem alternativa. Do ponto de vista teórico, todos somos contra taxas de juros muito elevadas, por sabermos os efeitos danosos, de inibição de investimentos, de atrair capital especulativo e não capital de risco, mas dentro da circunstância da despesa pública atual, e das opções que o Governo tinha, a elevação da Taxa Selic – que de alguma forma contagia os outros indicadores de mercado, sobretudo as taxas de juros nos papéis privados – era uma saída inexorável, e o Governo não tinha alternativa senão esta, dadas as suas limitações de atuar com outros mecanismos.”

    Otimista quanto ao futuro do país, o economista Gilberto Braga ressalta que a História mostra que o Brasil tem bastante potencial, e que, mesmo diante das dificuldades, nós somos capazes, temos criatividade e inteligência, além de termos dirigentes e povo determinados, capazes de reverter essa situação.

    Tags:
    taxa básica de juros, inflação, ajuste fiscal, Ibmec, CMN, Fundação Dom Cabral, Dilma Rousseff, Alexandre Tombini, Nelson Barbosa, Joaquim Levy, Brasil
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