12:12 12 Dezembro 2017
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    Moody's aponta retração na economia brasileira enquanto OCDE indica quadro de recuperação

    Marcos Santos / USP Imagens
    Brasil
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    Relatório da agência de risco Moody's diz que a dívida do Brasil deve aumentar, mantendo-se elevada, a despeito dos esforços do governo, mas a OCDE afirmou em relatório no mesmo dia que o BRICS crescerá 3,6% no ano. A incompatibilidade nos relatórios não é inédita e no caso da Moody's, segundo governo russo e agência chinesa, tem motivos políticos.

    De acordo com o relatório da agência, a dívida do país está maior que a de outras nações que detêm a nota "Baa" e espera-se que os indicadores gerais da dívida nacional venham a tornar-se mais discrepantes ainda em relação a outros que estão no mesmo grupo. No entanto, o relatório aponta que a dívida é apenas um dos pontos nos quais a nota do país se baseia. Esta situação, aponta, deve enfraquecer o perfil de crédito soberano do Brasil.

    A Moody's diz que a recita do governo diminuiu muito rapidamente em relação aos gastos, resultado de um crescimento menor do que o esperado.

    "A administração de Dilma Rousseff fixou as metas de superávit primário em 1,2% do PIB [Produto Interno Bruto] em 2016 como forma de recuperar credibilidade política, mas é improvável que alcance essas metas", disse o presidente da agência, Mauros Leos.

    A agência indica, segundo seu presidente, que a dívida do Brasil deve continuar em 66% do Produto Interno Bruto em 2016 e acima dos 60% durante todo o governo Dilma, tempo no qual não vê possibilidade de que o superávit primário ultrapasse os 2% do PIB.

    Esta notícia vem de encontro ao relatório divulgado também nesta quarta-feira (3) pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). De acordo com a organização internacional, o BRICS, grupo integrado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, crescerá 3,6% em 2015.

    No caso, o organismo aponta que Rússia e Brasil enfrentarão de fato ao longo deste ano um quadro de retração, retomando, no entanto, um crescimento considerável a partir do próximo ano.

    Esta discrepância entre relatórios não é algo novo. Em fevereiro deste ano, a Moody's havia baixado o rating soberano da Rússia de "Baa3" para "Ba1", com perspectiva negativa. "A crise na Ucrânia, bem como os recentes choques associados ao preço do petróleo e da taxa de câmbio do rublo, minam as perspectivas da economia e do crescimento da Rússia a médio prazo, apesar da reação no âmbito da política monetária e fiscal", disse a agência na ocasião.

    O ministério das finanças russo, por sua vez, acusou a agência de ser motivada politicamente. Segundo o ministro das finanças do país, Anton Siluanov, a decisão da Moody's foi "exageradamente negativa e politicamente motivada". Ele afirmou que a agência de avaliação "se baseia em uma perspectiva muito pessimista, que não corresponde com a realidade de hoje."

    O presidente da agência de avaliação chinesa Dagong, Guan Jianzhong, também criticou as decisões do S & P, Fitch e Moody's, argumentando que o rebaixamento do rating da Rússia foi politicamente motivado e não leva em conta o estado atual das economias de Rússia, Estados Unidos e União Europeia.

    Posteriormente, no final de maio, a agência Moody's reavaliou a perspectiva de crescimento da Rússia para os anos 2015-2016. 'Apesar da recessão econômica da Rússia, é provável que seja menos grave do que imaginávamos anteriormente', afirmou a agência.

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    Tags:
    Brasil, economia, rating, risco, Moody's, Guan Jianzhong, Anton Siluanov, Mauros Leos, China, Rússia, Brasil
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