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    Brasil investe em segurança contra ataques hackers nas Olimpíadas de 2016

    © AFP 2019 / VANDERLEI ALMEIDA
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    O Centro de Defesa Cibernética do Exército anunciou que o Brasil vai contar com 200 profissionais, entre militares e técnicos, responsáveis pela proteção cibernética durante os Jogos Olímpicos Rio 2016. O especialista Jorge Duarte Pires Valério, em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, admite que a ajuda da Rússia será positiva nessa área.

    O esquema de segurança cibernética tem como objetivo evitar o risco de invasão a sites públicos e privados durante as Olimpíadas, como o roubo de informações públicas e alteração de dados.

    Para o especialista em sistemas de computação, engenheiro eletrônico e de sistemas e professor de Engenharia da UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Jorge Duarte Pires Valério, o esquema anunciado pelo Exército parece satisfatório, mas não existe segurança absoluta. “A proposta que eles estão apresentando é bem interessante, firmada em coisas realistas, palpáveis e possíveis, mas partindo-se da ideia de que segurança absoluta não existe. Considero satisfatório, sim, porque eles dão conta de tratar aquilo que dá para a gente antecipar, os ataques conhecidos, as possibilidades de ações de hackers que já são mais ou menos esperados.” 

    Para o Professor Jorge Valério, é comum que o meio militar esteja à frente desse tipo de esquema de segurança para grandes eventos, pois os militares sabem bem como enfrentar situações críticas e de guerra. “Eles têm uma maior facilidade em antecipar problemas, em se organizar, é a própria questão disciplinar. Nós hoje identificamos nas empresas que a segurança em geral, e em especial a segurança da informação, é uma questão cultural. Isso no sentido de que a empresa precisa planejar para obter segurança, e então o meio militar, nessa hora, toma a frente, porque tem a capacidade de seguir fielmente o que foi combinado. A questão disciplinar é muito importante, e nas empresas nem sempre isso acontece – levar a sério.”

    A estratégia de segurança que vai ser usada nos Jogos Olímpicos de 2016 será a mesma realizada na Copa do Mundo do Brasil, em 2014. Naquele evento, o esquema contou com 100 militares espalhados pelas 12 cidades-sede. Além de proteção, eles também monitoravam as redes sociais para prevenir protestos violentos.

    Além do Exército, o trabalho de segurança cibernética vai contar com o apoio de outros três centros externos do Governo Federal que monitoram incidentes e contam com especialistas em tecnologia da informação, segurança e engenharia, além de técnicos do Serviço de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal (SRCC), da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

    Segundo Jorge Duarte Pires Valério, durante a Copa do Mundo não houve registros graves de incidentes na segurança cibernética do país. “Em termos cibernéticos, não houve nada mais preocupante. Tentativas sempre há, mas nenhuma foi bem-sucedida.”

    O baixo grau de maturidade em segurança da informação de algumas páginas na internet facilita os crimes cibernéticos. Além disso, o ativismo hacker é um grande problema no país, segundo o Centro de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro.

    Jorge Valério explica que o país tem ainda uma visão limitada sobre o assunto, e que as empresas não dão a devida importância às normas de segurança para impedir ataques virtuais. “Nós fazemos recomendações às empresas, mas as pessoas sempre acham que a falha sempre acontece no quintal dos outros. Precisamos planejar, mas temos ainda uma cultura relativamente fraca. Na grande maioria das empresas, é muito comum não se dar a devida atenção ao tema da segurança. Em geral, eu diria que isso é um problema mundial, mas nós, brasileiros, temos muita coisa ainda por fazer na internet. Nossa cultura deixa muito a desejar, e o Exército está certo em se preocupar.”

    Diante da situação, o Centro de Defesa Cibernética do Exército pretende monitorar as redes públicas, além de disponibilizar um centro nacional de tratamento e segurança de computadores para auxiliar os gestores das organizações privadas que não são de responsabilidade governamental. 

    No entanto, o professor de Engenharia da UERJ não acredita que o Brasil passe por grandes problemas durante os Jogos Olímpicos, do tipo de ataques terroristas, espionagem ou casos extremos de guerra. O especialista pensa que, se houver algo, vai ser mais no nível de algum grupo querer aparecer, mas é sempre importante ficar atento. “Nunca se sabe qual a natureza e quais as intenções de determinados grupos, diante de um evento de grandes proporções como uma Olimpíada. Os riscos são grandes, temos que nos precaver de todas as maneiras possíveis. Temos que antecipar e acompanhar de perto as redes sociais, procurar saber o que as pessoas estão comunicando. São grandes preocupações, mas eu não imagino, no cenário brasileiro, uma guerra e nem nada próximo de terrorismo, e sim algo mais na linha de alguém ou algum grupo querer chamar a atenção sobre si.”

    O especialista em sistemas de informação também acha válida uma possível cooperação internacional para garantir a segurança cibernética durante os Jogos. Como é o caso da Rússia, que em 2014 organizou os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno e agora oferece para os Jogos Olímpicos no Brasil o esquema de segurança usado nos eventos de Sochi. “Eu creio na eficácia da cooperação internacional. Por que vamos abrir mão da experiência anterior de alguém que combateu esse mesmo tipo de problema? Se está sendo proposto, porque não vou aceitar? É claro que existem negociações sobre essas condições, e a Rússia tem pela frente uma Copa do Mundo. Num cenário em que os russos também têm a ganhar porque têm eventos pela frente, acho que pode ser uma negociação favorável para todos nós.”

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    segurança, Jogos Paralímpicos, Jogos Olímpicos, UERJ, Polícia Federal, Abin, Anatel, Jorge Duarte Pires Valério, Sochi, Brasil, Rio de Janeiro
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