22:33 23 Setembro 2017
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    Encontro entre Dilma Rousseff e Enrique Peña Nieto, durante a sétima edição da Cúpula das Américas, na Cidade do Panamá, em abril passado

    Dilma Rousseff no México: visita reúne as duas maiores economias da América Latina

    © AFP 2017/ MANDEL NGAN
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    A Presidenta Dilma Rousseff chega ao México para uma visita de Estado que vai até quarta-feira (27). Ela já esteve no México em junho de 2012, para a Cúpula do G-20, em Los Cabos, mas esta é a primeira visita de Estado ao país, que há mais de dois séculos mantém relações cordiais e de parceria com o Brasil.

    De acordo com o subsecretário-geral para América do Sul, Central e do Caribe do Ministério das Relações Exteriores, Embaixador Antônio José Ferreira Simões, a visita da presidenta ao México é fruto da convergência regional e global das duas maiores economias da América Latina.

    O Embaixador Ferreira Simões explicou em entrevista coletiva que a ida de Dilma Rousseff ao México visa a aumentar e encontrar novos meios comerciais para o relacionamento bilateral entre os dois países. “Essa visita é fruto de um entendimento da presidenta com o Presidente Peña Nieto, no sentido de que há muitas convergências entre o Brasil e o México”, disse o diplomata. “Essas convergências se manifestam tanto no âmbito regional – por exemplo, no âmbito da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) – quanto no campo global, em iniciativas como a luta contra a fome”.

    Antônio José Ferreira Simões destaca também que, além da expansão comercial, também vai ser assinado um Acordo de Serviços Aéreos para favorecer o turismo entre Brasil e México. Atualmente, o México absorve cerca de 15% do turismo internacional brasileiro, além de ser o principal destino turístico da América Latina. “Nós vamos ter a assinatura de um acordo de serviços que vai facilitar as ligações aéreas. Vamos ter também um memorando de entendimento sobre cooperação turística. Como se sabe, o México é uma potência mundial em termos turísticos, e, então, é extremamente interessante poder trabalhar com o México nessa área, que o Brasil já desenvolve bastante, mas tem um potencial enorme a desenvolver”.

    Outro documento de destaque a ser assinado entre a Presidenta Dilma Rousseff e o Presidente Peña Nieto é um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos entre os dois países, o primeiro a ser firmado na América Latina. Atualmente o volume de investimento mexicano no Brasil é de cerca de US$ 23 bilhões. “É um formato novo de Acordo. Esse vai ser o terceiro a ser assinado pelo Brasil. Foi firmado já com Angola e Moçambique, e vai ser o primeiro assinado na América Latina. O Brasil é um grande receptor de investimentos mexicanos. Na verdade, o segundo maior país que recebe investimentos mexicanos no mundo é o Brasil, depois dos Estados Unidos”.

    O embaixador ressaltou que os investimentos brasileiros no México têm sido crescentes, destacando a construção de um polo petroquímico no estado mexicano de Veracruz – o projeto Etileno XXI, com investimento de quase US$ 5 bilhões, desenvolvido por uma associação empresarial entre a brasileira Braskem e a mexicana Idesa. Outro projeto que vem sendo desenvolvido pelo Brasil no México é no campo siderúrgico, com a construção, pela Gerdau, de um complexo no Estado mexicano de Hidalgo, com investimento da ordem de US$ 600 milhões.

    Segundo o subsecretário-geral para América do Sul, Central e do Caribe, dois acordos regem hoje as relações bilaterais entre Brasil e México, o ACE-53, que engloba 800 produtos, e o ACE-55, que trata do comércio automotivo, que representa quase metade do comércio total. E a expectativa da Presidenta Dilma é expandir ainda mais o comércio bilateral por meio de uma liberalização progressiva.

    Antônio José Ferreira Simões explica ainda que no encontro entre Dilma Rousseff e o presidente do México, Enrique Peña Nieto, deve ser relançada a Comissão Binacional, que é chefiada pelos chanceleres dos dois países e reúne membros de vários ministérios. A comissão é composta de quatro subcomissões: uma política; outra econômica, comercial e financeira; a terceira, de cooperação técnico-científica; e a última, de cooperação educativo-cultural.

    As relações diplomáticas entre Brasil e México foram estabelecidas em 1830, mas o Brasil, como sede da Coroa portuguesa desde 1808, já mantinha relações consulares com o México desde 1810, quando se deu a declaração de independência mexicana.

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    Tags:
    Etileno XXI, economia, Comissão Binacional, Idesa, Braskem, Gerdau, CELAC, Antônio José Ferreira Simões, Enrique Peña Nieto, Dilma Rousseff, Hidalgo, Moçambique, Caribe, América do Sul, Veracruz, Angola, México, Portugal, América Latina, Brasil
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