09:49 20 Setembro 2017
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    Ministério da Saúde nega epidemia de dengue no Brasil

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    Mesmo diante do registro de 745,9 mil ocorrências de dengue no Brasil entre 1 de janeiro e 18 de abril deste ano, o Ministro da Saúde, Arthur Chioro, nega que o país esteja em situação de epidemia da doença.

    O total é 234,2% maior em relação ao mesmo período do ano passado, mas 48,6% menor em comparação com 2013, quando na mesma época houve 1,4 milhão de ocorrências de dengue.

    Conforme dados divulgados pelo próprio Ministério da Saúde, a incidência de notificações no país para cada grupo de 100 mil habitantes é de 367,8. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o índice representa, sim, uma situação de epidemia, pois a classificação mínima para este estágio é de 300 casos para cada 100 mil habitantes.

    De acordo com o Ministro da Saúde, o caso do Brasil não é de epidemia, mas de elevação no total de casos.

    “Em relação a 2014, nós temos elevação em praticamente todo o país. Mas quando a gente trabalha com o conceito de epidemia, nós temos duas possibilidades: ou a gente vê a série histórica e a comparação por um longo período, uma série de eventos ano a ano que nos permite ver a incidência da doença, ou adotamos o parâmetro da OMS, que considera comportamento epidêmico quando o número de casos tem incidência de 300 casos para cada 100 mil habitantes.”

    Arthur Chioro explica que o maior número de ocorrências é resultado da crise hídrica e do desarmamento de ações de combate à doença por parte da sociedade. “O ano passado foi um ano excepcionalmente bom em relação aos resultados, mas de certa forma, em algumas localidades, o aspecto positivo do ano passado fez com que se desarmasse a mobilização da sociedade em algumas ações. Mas a dengue também tem característica multifatorial. Então, não podemos desconsiderar que neste ano nós tivemos condições climáticas que favoreceram o aumento do número de casos. Nós tivemos o problema da crise hídrica, em que o armazenamento de água feito pela população não teve a devida proteção. Portanto, é um conjunto de fatores.”

    Apesar da queda na mobilização da sociedade em manter as ações de prevenção à doença, o Ministro da Saúde não culpa a população pelo aumento dos casos de dengue no país. "Jamais colocaria a responsabilidade sobre a população. Lidamos com um problema muito complexo."

    A Região Sudeste tem a maior taxa de incidência de dengue entre todas as regiões do país, com 575,3 casos por 100 mil habitantes; em seguida vêm o Centro-Oeste (560,7 por 100 mil), o Nordeste (173,7 por 100 mil), o Sul (159,8 por 100 mil) e o Norte (156,6 por 100 mil).

    Segundo o Ministério da Saúde, entre os Estados ndo país que estão com comportamento de epidemia estão São Paulo, Acre, Tocantins, Rio Grande do Norte, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás.

    Já os Estados do Amazonas e do Espírito Santo e mais o Distrito Federal apresentaram redução do número de casos nas primeiras 15 semanas de 2015. O Amazonas registrou 3.693 casos em 2014 e 2.751 neste ano. Já o Espírito Santo reduziu os casos de dengue de 8.353 para 4.750 no mesmo período. E o Distrito Federal registrou 4.652 no ano passado e 3.578 em 2015.

    Nas 15 primeiras semanas de 2015, foram confirmados 229 óbitos causados pela doença, um aumento de 44,9% em relação ao mesmo período de 2014, quando foram registradas 158 mortes.

    O Ministério da Saúde informou que investiu recursos adicionais de R$ 150 milhões para ações de combate à dengue em todo o Brasil. Os recursos são exclusivos para medidas de combate aos mosquitos transmissores da dengue e do chikungunya e incluem a contratação de agentes de vigilância para atuação em Estados e municípios do País.

    Tags:
    dengue, OMS, Brasil
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