23:15 11 Dezembro 2018
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    Usina Hidrelétrica de Itaipu

    Especialista considera hidrelétrica na Bolívia opção interessante para o Brasil

    © AFP 2018 / Norberto Duarte
    Brasil
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    Em entrevista exclusiva à Sputnik nesta terça-feira, o engenheiro Allan Cascaes, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), disse que o projeto brasileiro de construir uma hidrelétrica em parceria com a Bolívia pode ser muito benéfico ao Brasil, com essa nova usina funcionando como uma complementação da central de Jirau.

    A construção da nova usina, que ainda está em fase de negociação, prevê um financiamento de R$ 15 bilhões até 2022, ano em que a hidrelétrica binacional, que ficará do lado boliviano do Rio Madeira, deverá entrar em operação. A expectativa é a de que as obras, financiadas possivelmente pelo BNDES, tenham início em 2018 e de que, quando finalizadas, a usina tenha capacidade para produzir até 3.000 MW de energia. 

    Para Cascaes, analisando, por alto, os custos e os benefícios desse projeto, o investimento pode ser considerado muito bom para o país. Segundo ele, como a usina de Jirau, também no Rio Madeira, não possui uma barragem de acumulação grande, impedindo assim a regularização da vazão do rio, a construção de uma nova central no lado boliviano, com uma barragem maior, poderá resolver um grande problema de abastecimento. 

    "Quando tiver muita chuva, essa barragem na Bolívia vai segurar a água e liberar apenas na época da estiagem. Sob esse aspecto, ela é bastante benéfica para o Brasil", disse o engenheiro. "E, fazendo uma comparação com outras usinas, o custo está dentro do razoável se nós considerarmos os custos de barragem, capital e mais as linhas de transmissão". 

    Ainda de acordo com o especialista, outra alternativa para a região seria a criação de uma usina nuclear. Entretanto, além de ter um custo maior, essa outra opção possui uma vida útil menor, tendo que ser desmontada após 40 anos. E, por esse motivo, apesar das críticas de muitos ambientalistas, a hidrelétrica continua sendo mais interessante. 

    "A primeira alternativa, mais atraente, sempre é uma hidrelétrica. Eu até aproveito para me posicionar contrário a essa ideia de que não se pode construir usinas com reservatórios porque vai alterar o meio ambiente. Porque, na verdade, eu não estou alterando totalmente o meio ambiente, eu estou criando um novo meio ambiente", explicou Cascaes. "Eu estou substituindo aquela área por um lago, que vai ter agora um novo papel na biodiversidade", completou. 

    A fim de dar continuidade às discussões sobre o acordo, o ministro de Minas e Energia do Brasil, Eduardo Braga, deverá fazer uma visita à Bolívia no próximo mês para assinar um memorando de formalização dos estudos técnicos e ambientais do projeto, que, de acordo com alguns órgãos de imprensa, deverá incluir também a instalação de termelétricas na fronteira e linhas de transmissão que permitirão a exportação de energia para o território brasileiro. Nesse caso, somando-se o potencial de produção de todas as usinas, a capacidade total do complexo chegaria a 7.500 MW, o equivalente à metade da usina binacional de Itaipu, no Rio Paraná, sendo que a Bolívia consome apenas 1.280 MW.

    Segundo o professor da UERJ, a disponibilização de uma quantidade maior de energia para o Brasil nos próximos anos terá uma importância vital para o desenvolvimento do país. Ele acredita que, apesar dos problemas atuais, a economia nacional deverá voltar a crescer a partir do ano que vem, aumentando também o consumo energético.

    "Essas obras de longo prazo têm que ser iniciadas com bastante antecedência. Porque, quando não fazem essas obras de hidrelétricas, ou de usinas nucleares, a alternativa é a pior possível: a construção de termelétricas. Estas, além de encarecer muito a conta da energia elétrica para o consumidor, são terrivelmente prejudiciais ao meio ambiente", explicou Cascaes. 

     

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    Tags:
    Itaipu, Jirau, usina hidrelétrica, BNDES, UERJ, Eduardo Braga, Allan Cascaes, Paraguai, Rio Paraná, Rio Madeira, Bolívia, Brasil
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