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    Em entrevista exclusiva à Sputnik Afeganistão, o assessor do antigo presidente afegão Ashraf Ghani falou sobre a situação atual no país e sobre o futuro do governo talibã.

    Mohammad Mohaqiq era assessor do ex-presidente afegão Ashraf Ghani, que fugiu do país após a tomada do poder pelo Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países).

    Em 7 de setembro, o movimento, que capturou Cabul em 15 de agosto, anunciou o novo governo provisório, composto exclusivamente por membros de suas próprias fileiras, apesar das promessas anteriores de formar um governo inclusivo para todos os afegãos.

    Conforme contou Mohammad Mohaqiq, a situação no país permanece grave: "A vingança continua até agora, bem como a hostilidade e a pressão sobre várias camadas da população".

    Ele disse ainda que todas as etnias participaram da libertação do país dos estrangeiros. "Enquanto isso, o governo foi criado de forma unilateral".

    "Esperávamos que fosse criado um governo inclusivo, conforme todas as discussões que decorreram durante as negociações afegãs: um governo inclusivo que incluísse representantes de todas as etnias e setores da sociedade afegã. Mas isso não aconteceu. Até agora, os talibãs não deram nenhuns passos no sentido da criação de tal governo", apontou o ex-funcionário.

    Ele afirmou que os talibãs confiscam as armas e continuam sua pressão em algumas regiões. "Apesar da anistia declarada pelo Talibã, as pessoas que tenham trabalhado nas estruturas anteriores deixaram suas casas e estão vagueando até hoje. Alguns saíram para o Paquistão e Irã."
    Apoiadores do Talibã celebram a retirada completa de tropas americanas do Afeganistão, Kandahar, 1º de setembro de 2021
    © AFP 2021 / JAVED TANVEER
    Apoiadores do Talibã celebram a retirada completa de tropas americanas do Afeganistão, Kandahar, 1º de setembro de 2021

    Mohaqiq ressaltou que, se os talibãs querem terminar a guerra civil, eles devem demonstrar isso por meio de sua política, em particular, incluir representantes de todas as etnias no governo.

    Quanto à resistência em Panjshir, ele disse que "nossos irmãos" afirmam controlar a maior parte das áreas e continuar a resistência.

    "Quanto a julgar se a resistência é legítima ou não, eles [as forças da resistência] dizem que estão perseguindo um objetivo legítimo através de suas ações, enquanto nós falamos sobre a criação de um governo abrangente, onde todas as etnias sejam representadas."

    Governo deve ser formado através de negociações

    O assessor opina que a fuga de Ghani e o fato de ter passado o poder para os talibãs não significa que o novo poder seja legítimo. Por isso, os talibãs devem mostrar sua flexibilidade na formação do novo governo.

    "Nas últimas 2-3 semanas de sua gestão, Ghani, com ou sem o consentimento dos EUA, entregou o Exército aos talibãs. Vários condados por dia se renderam ao Talibã sem nenhuma resistência. O governo até ameaçou aqueles que resistissem ao Talibã com uma ação judicial. Ou seja, o governo Ghani entregou indiretamente o país a eles, mas esse não é um caminho legítimo. O governo deve ser reconhecido por todos os representantes do Afeganistão."

    "É obvio que o governo que chegou ao poder pela força não vai durar por muito tempo", acrescentou.

    Um governo inclusivo, reiterou, deve ser formado através de negociações entre os líderes dos partidos políticos e os talibãs.

    "Caso não cheguemos a acordo, então, quer queiramos ou não, a resistência vai começar em todo o Afeganistão."

    Ao ser questionado sobre a restauração da Aliança do Norte, que reunia diversos grupos afegãos, Mohammad Mohaqiq disse o seguinte:

    "Não lhe chamamos Aliança do Norte. É uma coalizão de chefes de partidos e movimentos políticos que existiram no Afeganistão nos últimos 40 anos. A coalizão será formada para preservar os valores constitucionais, para garantir os direitos dos representantes de todas as etnias e religiões, para criar um governo inclusivo.

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    Cabul, Afeganistão, Talibã, Ashraf Ghani, presidente
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