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    Mesmo que a ameaça externa mais séria para a América seja a China, a Coreia do Norte é um problema de difícil resolução que pode se agravar ainda mais, considera o analista do The National Interest, Doug Bandow.

    De acordo com ele, a Rússia não quer que a Coreia do Norte se torne uma potência nuclear, e nisso as posições de Moscou e Washington coincidem. Por isso mesmo, a administração Biden deve começar uma interação com o Kremlin em relação ao assunto.

    Outrora, Moscou era a principal parada dos líderes norte-coreanos: a União Soviética tinha muito material militar e equipava o Exército da Coreia do Norte. Conforme escreve o analista, durante toda a Guerra Fria, Pyongyang recebia recursos da URSS em troca de declarações de amizade, conduzindo a mesma linha em relação à China.

    Pequim enfrentava algumas tensões nos laços com a Coreia do Norte, mas sempre teve uma influência bem grande sobre Pyongyang. O mais importante é que, com o início da ascensão econômica, Pequim assumiu uma posição dominante nas relações exteriores da Coreia do Norte.

    Agora, continua Doug Bandow, as relações Rússia-Coreia do Norte não são tão importantes como as entre Pequim e Pyongyang, mas Moscou possui poder de veto na ONU, é capaz de impedir sanções e representa uma fonte de moeda forte para a Coreia do Norte, que sofre um déficit financeiro.

    No entanto, a Rússia, conforme o analista, é contra que a Coreia do Norte se transforme em uma potência nuclear. Com o aumento do seu arsenal, a Coreia do Norte fica menos dependente dos vizinhos, incluindo dos amigos nominais. As recentes avaliações dos especialistas mostram que, em alguns anos, Pyongyang poderá ter 200 unidades de armas nucleares, se tornando uma potência nuclear média, e será mais difícil para Moscou influenciar o comportamento da Coreia do Norte.

    Bandow acredita que os interesses de Moscou e Washington na península coreana coincidem em muitos aspectos. Ao contrário da China, escreve o autor, a Rússia pouco se preocupa com a estabilidade do país asiático. Moscou tem menor volume de comércio com a Coreia do Norte e, se as duas Coreias se reunificarem e se aliarem com os Estados Unidos, a Rússia será menos afetada, em comparação à China, em termos geopolíticos.

    Soldados norte-coreanos participam da parada em Pyongyang, Coreia do Norte, 9 de setembro de 2021
    © REUTERS / KCNA
    Soldados norte-coreanos participam da parada em Pyongyang, Coreia do Norte, 9 de setembro de 2021

    Tudo isso significa que é possível começar a discussão e até fechar um acordo entre Washington e Moscou sobre as Coreias.

    "Os Estados Unidos devem procurar acalmar as tensões com a Rússia e encontrar um modus vivendi, se afastando das questões da Ucrânia, Síria e outras controvérsias aparentemente irresolúveis", escreve o autor do artigo.

    "Os EUA deveriam procurar obter um apoio mais forte do governo de Putin para a desnuclearização da Coreia do Norte. Embora as lealdades históricas que remontam à Guerra da Coreia sempre afetem a perspectiva de Moscou em relação ao Norte, as diferenças de ponto de vista se aproximariam se a Rússia não se visse em uma relação tão adversa com os Estados Unidos. Nesse caso, Moscou poderia estar disposta a coordenar mais com os Estados Unidos e usar sua influência em Pequim para pressionar por uma posição mais dura em relação ao Norte", afirma o autor.

    De acordo com o analista, a Rússia poderia ser um participante muito valioso do grupo que tenta alcançar a desnuclearização, por isso a administração Biden deve começar uma cooperação intensa com o Kremlin sobre o assunto.

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    Tags:
    Coreia do Norte, EUA, Rússia, desnuclearização, Washington
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