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    Por 20 anos, os EUA e aliados gastaram centenas de milhões de dólares construindo sistema de dados para o povo afegão. O objetivo era promover a lei, a ordem e a responsabilidade, assim como modernizar o país devastado pela guerra.

    A maior parte do aparato digital construído pelos EUA durante os 20 anos de ocupação, que incluiu biometria para verificar identidades, aparentemente caiu nas mãos do Talibã (grupo terrorista proibido na Rússia e em diversos países), segundo a AP News.

    À medida que o grupo terrorista se posiciona no poder, há preocupações de que esses bancos de dados serão usados para controle social e para punição de possíveis inimigos.

    De acordo com a mídia, desde a queda de Cabul, em 15 de agosto, surgiram indícios de que dados do governo podem ter sido usados ​​nos esforços do Talibã para identificar e intimidar os afegãos que trabalhavam com as forças dos EUA.

    Segundo Neesha Suarez, diretora de serviços do representante norte-americano, Seth Moulton – um veterano da Guerra do Iraque cujo escritório está tentando ajudar pessoas que trabalharam para os EUA – afegaõs estão recebendo telefonemas, mensagens de texto e mensagens do WhatsApp sinistras e ameaçadoras.

    A AP relata que, por enquanto, é incerto o destino de uma das bases de dados mais sensíveis, a que é usada para pagar soldados e policiais.

    Soldados afegãos recém-formados em cerimônia de graduação na Academia Militar de Cabul, no Afeganistão, em 24 de fevereiro de 2020
    © AP Photo / Rahmat Gul
    Soldados afegãos recém-formados em cerimônia de graduação na Academia Militar de Cabul, no Afeganistão, em 24 de fevereiro de 2020

    O sistema afegão de pessoal e pagamento tem dados sobre mais de 700.000 membros das forças de segurança há 40 anos. Seus mais de 40 campos de dados incluem datas de nascimento, números de telefone, nomes de pais e avós, impressões digitais e exames de íris e rosto, segundo a mídia.

    Originalmente concebido para combater a fraude na folha de pagamento, esse sistema deveria eventualmente interagir com um poderoso banco de dados nos ministérios da Defesa e do Interior, modelado em um que o Pentágono criou em 2004 para alcançar o "domínio da identidade" por meio da coleta de impressões digitais e exames de íris e rosto em áreas de combate.

    Já o Banco de Dados de Identificação Biométrica Automatizada do Afeganistão cresceu de uma ferramenta para examinar recrutas do Exército e da polícia por lealdade para conter 8,5 milhões de registros, incluindo inimigos do governo e da população civil. 

    Quando Cabul caiu, o banco estava sendo atualizado, junto com um banco de dados semelhante no Iraque, sob um contrato de US $ 75 milhões (R$ 387 milhões), assinado em 2018. No entanto, autoridades norte-americanas afirmam que ele foi protegido antes que o Talibã pudesse acessá-lo, apagando-o com software de limpeza de dados de nível militar.

    Um outro banco de dados herdado pelo grupo terrorista contém imagens de íris, rosto e impressões digitais de 420 mil funcionários do governo, segundo a mídia.

    Refugiados afegãos caminham até um ônibus que os leva a um centro de processamento na chegada ao Aeroporto Internacional de Dulles em Dulles, Virgínia, EUA, 29 de agosto de 2021
    © REUTERS / ELIZABETH FRANTZ
    Refugiados afegãos caminham até um ônibus que os leva a um centro de processamento na chegada ao Aeroporto Internacional de Dulles em Dulles, Virgínia, EUA, 29 de agosto de 2021

    A aglomeração central de tais dados pessoais é exatamente o que preocupa os 37 grupos de liberdades civis digitais que assinaram uma carta em 25 de agosto pedindo o fechamento urgente e o apagamento, quando possível, da "ferramenta de identidade digital" do Afeganistão, entre outras medidas.

    Na carta, é afirmado que governos autoritários têm explorado esses dados "para atingir pessoas vulneráveis" e bancos de dados digitalizados e pesquisáveis ​​ampliam os riscos, relatou a AP.

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    Tags:
    Talibã, Afeganistão, banco de dados, EUA
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