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    Cerca de 200 dos 30 mil refugiados afegãos processados na Base Aérea de Ramstein na Alemanha foram marcados de "vermelho" e agora estão sob novas verificações, de acordo com o general Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA.

    Em entrevista ao Fox News em 5 de setembro, o general explicou que "se o evacuado tiver algum tipo de informação negativa, ela aparecerá como 'vermelho' ou 'amarelo'".

    Ao menos 50.000 refugiados afegãos são esperados chegarem aos Estados Unidos, conforme o secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas. Entretanto, dezenas de milhares de afegãos já foram processados através da verificação de segurança e chegaram aos EUA para iniciarem o processo de reassentamento. Mayorkas contou à emissora que cerca de 20% dos que chegaram são cidadãos americanos ou residentes permanentes. Os restantes são pessoas que receberam ou vão receber um visto especial de imigrante.

    Extremistas tentam infiltrar países ocidentais

    "É de esperar que a Al-Qaeda [organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países] ou o Daesh [organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países] baseado no Afeganistão teriam tentado e teriam alguns de seus membros obtido acesso aos voos partindo do Afeganistão para a Europa, e as autoridades de combate ao terrorismo estarão cientes disso", disse o dr. David Lowe, da Universidade Beckett em Leeds e chefe de uma empresa de consultoria em terrorismo e segurança.

    O especialista explica que a Europa e a América do Norte implementaram um sistema de filtragem, desde verificações no aeroporto de Cabul antes do embarque na aeronave até verificações provisórias em países como os Emirados Árabes Unidos antes de levar os refugiados para o país de destino e no próprio país. No caso dos EUA, os refugiados são processados em uma base militar na Alemanha antes de se mudarem para o país.

    Refugiados afegãos caminham até um ônibus que os leva a um centro de processamento na chegada ao Aeroporto Internacional de Dulles em Dulles, Virgínia, EUA, 29 de agosto de 2021
    © REUTERS / ELIZABETH FRANTZ
    Refugiados afegãos caminham até um ônibus que os leva a um centro de processamento na chegada ao Aeroporto Internacional de Dulles em Dulles, Virgínia, EUA, 29 de agosto de 2021

    De acordo com Lowe, o sistema dá tempo às autoridades para conferirem as listas de voo e conduzirem as verificações de antecedentes.

    Contudo, os procedimentos têm limitações, afirma David Otto, especialista em contraterrorismo e defesa e diretor do Centro de Estudos Estratégicos e de Segurança para a África em Genebra.

    "Com o colapso do governo do Afeganistão, tem havido preocupações de que as pessoas falsifiquem documentos para conseguirem passar. É uma das razões porque os EUA têm dado passos para processar indivíduos de países terceiros a fim de controlar o risco. Apesar dessas medidas, grupos como EI-K e Al-Qaeda vão encorajar seus simpatizantes a enganarem o sistema."

    Otto lamenta que, "além do rastreamento de indivíduos na melhor de suas capacidades", "é pouco o que está sendo feito" para proteger a Europa das células adormecidas dos grupos terroristas. "A Europa e o Ocidente estão sob alto risco de ataque terrorista de indivíduos que entraram no país dissimulados se posicionando como relacionados aos EUA."

    Se o refugiado for considerado "não confiável" e represente uma ameaça ao Estado, então na maioria dos casos não haverá outra alternativa senão o devolver ao Afeganistão. Porém, "as leis da Alemanha impedem a deportação forçada de afegãos depois que o Talibã [organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países] assumiu o controle do país, o que significa que eles podem viver na Alemanha em uma situação especial", nota dr. Jassim Mohamad, chefe do Centro Europeu de Estudos de Antiterrorismo e Inteligência em Bonn.

    "Pessoas perigosas podem ser submetidas a supervisão, mas nenhuma delas será detida, e o status de residente pode permanecer como temporário ou limitado", ressaltou o especialista.

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    Tags:
    Al-Qaeda, Estado Islâmico, Europa, EUA, refugiados, Afeganistão
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