00:20 24 Setembro 2021
Ouvir Rádio
    Ásia e Oceania
    URL curta
    112011
    Nos siga no

    Para os EUA, havia apenas duas escolhas no Afeganistão: ou se retirar do país ou agravar o conflito, disse o presidente norte-americano, Joe Biden, nesta terça-feira (31), após EUA completarem sua retirada do país.

    "Essa foi a escolha: entre a saída ou a escalada [de tensões]. Eu não ia estender essa guerra para sempre, e [também] não estenderia uma saída para sempre", declarou Biden.

    O presidente discorda de quem acha que o processo de evacuação das forças militares e aliados podia ter sido feito de um jeito mais ordeiro ou organizado.

    "Há quem diga que deveríamos ter começado as evacuações em massa mais cedo, e [questionam se] isto não poderia ter sido feito de uma maneira mais ordeira. Eu discordo respeitosamente", comentou o democrata.

    Na segunda-feira (30), de acordo com o Pentágono, os EUA concluíram a retirada de suas forças do Afeganistão, quase 20 anos depois de invadir o país após os ataques de 11 de setembro de 2001 na cidade de Nova York.

    Fuzileiro naval dos EUA segura um bebê nos braços durante evacuação no Aeroporto Internacional de Cabul, Afeganistão
    © REUTERS / Sgt. Isaiah Campbell / Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA
    Fuzileiro naval dos EUA segura um bebê nos braços durante evacuação no Aeroporto Internacional de Cabul, Afeganistão

    Desde que anunciaram sua saída, o Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países) conduziu fortes ofensivas pelo país afora, acabando por estabelecer seu controle em Cabul em 15 de agosto de 2021. A partir desse dia, os EUA - e forças estrangeiras suas aliadas - sabiam que o tempo era escasso para evacuar todas as suas forças e aliados afegãos que os ajudaram durante as últimas duas décadas.

    No final, "esta decisão sobre o Afeganistão não se refere apenas a este país. Trata-se de acabar com uma era de grandes operações militares para refazer outros países", afirmou Joe Biden.

    Nas últimas duas semanas, o Aeroporto Internacional de Cabul presenciou o desespero de vários afegãos, tendo alguns deles acabado por morrer enquanto tentavam fugir do Afeganistão, agora sob domínio do grupo insurgente. Porém, os principais receios de Washington, e do mundo, se concretizaram na sexta-feira (27), quando um homem-bomba e cúmplices com armas de fogo leves realizaram um ataque no aeroporto de Cabul. Esse ataque, por sua vez, foi reivindicado pelo Estado Islâmico-Khorasan (EI-K) (grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países), um ramo do Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países).

    Policial afegão monta guarda no mercado explodido no dia 7 de agosto em Cabul
    © AFP 2021 / SHAH MARAI
    Policial afegão monta guarda no mercado explodido no dia 7 de agosto em Cabul
    Ante tal acontecimento, o presidente dos EUA avisou o EI-K que Washington não vai parar com ações militares contra o grupo. "Para o EI-K: ainda não acabamos com você", ameaçou Biden durante seu discurso na Casa Branca.

    Segundo a ONU, deverá haver entre 500 e 1.200 combatentes do EI-K no Afeganistão. Este grupo foi responsável por cerca de 100 ataques no país em 2020 e realizou massacres em mesquitas, praças e até mesmo em hospitais. Contudo, por enquanto o EI-K não é suficientemente poderoso ou popular para desafiar o domínio do Talibã, sendo que agora é pouco provável existam alvos ocidentais importantes no Afeganistão após a retirada das forças estrangeiras.

    Mais:

    Queda livre: qual o impacto da pandemia e do Afeganistão na baixa popularidade de Biden?
    Em meio a tensões com Paquistão, Índia anuncia sua primeira reunião oficial com Talibã
    Trump sugere recorrer à força se talibãs não devolverem equipamento militar deixado no Afeganistão
    Tags:
    EUA, Afeganistão, Talibã, guerra, retirada, Daesh
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar