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    Pino Arlacchi, antigo subsecretário-geral das Nações Unidas e um dos especialistas mais reputados em matéria de luta contra a máfia e o narcotráfico, considera que o Ocidente já não tem voz nos assuntos sobre o futuro do Afeganistão.

    Segundo ele, apenas um plano de grande escala da Rússia e China ajudará a encontrar uma saída para a crise vivida no país.

    De acordo com as estimativas de Arlacchi, 80% da assistência humanitária e civil da União Europeia (UE) ao Afeganistão era "desperdiçada e gasta em vão". Como resultado, esta foi uma das razões para o regresso ao poder do movimento Talibã (grupo terrorista proibido na Rússia e em diversos países).

    "Todos sabiam muito bem que os representantes do governo do Afeganistão colocavam no bolso parte da assistência internacional ou a enviavam para contas offshore", disse o ex-subsecretário-geral da ONU em entrevista à Sputnik.

    Arlacchi afirmou que se tratava de uma contribuição da UE no valor de cerca de 1 bilhão de euros por ano (R$ 6,1 bilhões). Mas na realidade o Afeganistão recebia aproximadamente 200 milhões de euros (R$ 1,23 bilhão), metade dos quais eram apropriados pelas autoridades locais.

    Da esquerda para direita: Mohammad Naim, Mawlawi Shahabuddin Dilawar e Suhil Shaheen, membros de uma delegação política do Talibã participam de uma entrevista coletiva em Moscou, Rússia, 9 de julho de 2021
    © AP Photo / Alexander Zemlianichenko
    Da esquerda para direita: Mohammad Naim, Mawlawi Shahabuddin Dilawar e Suhil Shaheen, membros de uma delegação política do Talibã participam de uma entrevista coletiva em Moscou, Rússia, 9 de julho de 2021

    "Os afegãos recebiam apenas cerca de 100 milhões (R$ 614 milhões)", observou.

    "Depois de um fracasso completo, o Ocidente perdeu a direito de voz no Afeganistão. Nossa opinião pública parece não ter percebido isso ainda, aqui continuam falando como se não houvesse derrota no Afeganistão. Mas a bola já está do outro lado do campo. Agora tudo vai depender do que, em primeiro lugar, decidirem a Rússia e China, bem como o Paquistão, Irã, Índia e outros países asiáticos”, enfatizou Arlacchi.

    Durante as últimas semanas, o mundo tem assistido ao nascimento de uma nova ordem política no Afeganistão, agora sob comando do Talibã, que, por sua vez, tem prometido ser mais brando do que no passado.

    Ainda assim, muitos afegãos têm tentado fugir do país com medo de serem perseguidos pelo movimento, especialmente se cooperaram com as forças militares estrangeiras durante os últimos 20 anos de guerra.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Talibã, Ocidente, EUA, Guerra no Afeganistão, Rússia, China
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