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    A Sputnik entrevistou o representante oficial do gabinete político do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países), Mohammad Naim.

    Os talibãs declaram à comunidade internacional e aos afegãos que o Afeganistão não se tornará uma plataforma para quaisquer operações que possam ameaçar qualquer outro país.

    No que diz respeito à confirmação de tais declarações na prática, Mohammad Naim relembra que os talibãs anunciaram a anistia geral para os funcionários governamentais do Afeganistão. Além desse passo, eles conduziram negociações com autoridades americanas, alcançando o acordo sobre a retirada das tropas do país.

    "Nossos objetivos principais e primeiros passos são o diálogo e a resolução pacífica de quaisquer problemas. Essa política tem mostrado sucesso. O processo de paz levou a que agora as pessoas estão reunidas e abandonaram as discordâncias."

    O representante do movimento afirmou que a organização se esforça para "encontrar a fórmula de governo futuro" o mais rápido possível, uma vez que ninguém, de acordo com suas palavras, inclusive eles próprios, esperava que a tomada do poder acontecesse tão rápido. "Estamos ansiosos e fazendo o nosso melhor para encontrar a fórmula do futuro governo o mais rápido possível", disse.

    Militante do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) passa por um salão de beleza com imagens de mulheres cobertas com tinta em Cabul, Afeganistão, 18 de agosto de 2021
    © AFP 2021 / Wakil Kohsar
    Militante do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) passa por um salão de beleza com imagens de mulheres cobertas com tinta em Cabul, Afeganistão, 18 de agosto de 2021

    Quanto ao tipo de governo, ele respondeu que ele vai incluir cidadãos comuns, "para que as pessoas sintam que o governo representa seus interesses". O objetivo principal é servir o povo, na base da sinceridade e sem discriminação, inclusive no que se refere aos direitos das mulheres.

    Além disso, Mohammad Naim reiterou mais uma vez que o Talibã não aceita o adiamento da retirada das tropas dos EUA do solo afegão, já que a data acordada foi adiada pela administração Biden unilateralmente.

    "Eles devem sair a tempo para que não haja novos problemas", avisou.

    A posição da Rússia, por sua vez, é avaliada pelos talibãs de forma positiva: "A posição da Rússia é maioritariamente positiva, e esperamos que no futuro a Rússia também desempenhe um papel favorável na solução dos problemas existentes no Afeganistão. Nos encontramos várias vezes e realizamos conferências em Moscou para busca de soluções dos problemas afegãos".

    O representante aponta que a situação mudou nos últimos 20 anos: naquele momento o país estava dividido e mesmo Cabul, apesar da pequena área, estava dividida entre seis organizações diferentes. A comunidade internacional não tem ajudado o povo afegão, "além de sanções e ameaças". Mas agora a situação mudou radicalmente, opina Naim.

    Da esquerda para direita: Mohammad Naim, Mawlawi Shahabuddin Dilawar e Suhil Shaheen, membros de uma delegação política do Talibã participam de uma entrevista coletiva em Moscou, Rússia, 9 de julho de 2021
    © AP Photo / Alexander Zemlianichenko
    Da esquerda para direita: Mohammad Naim, Mawlawi Shahabuddin Dilawar e Suhil Shaheen, membros de uma delegação política do Talibã participam de uma entrevista coletiva em Moscou, Rússia, 9 de julho de 2021

    "O Afeganistão se tornou uma casa em chamas. E é lógico que, primeiramente, é preciso unir o país e depois eliminar os problemas que foram criados pelas mãos dos aventureiros militares. Nós devemos resolver esses problemas".

    Ele indicou dois principais problemas no Afeganistão. Primeiro, é a "ocupação", que terminou ou quase terminou. Segundo, é a guerra que dura há 40 anos, provocando misérias e desastres.

    "Agora surgiu uma boa possibilidade, tanto dentro, como fora [do país] para estabelecer contato com países vizinhos e a comunidade internacional. É um momento muito oportuno para as partes internas e externas trabalharem juntas para levar o povo afegão a um porto seguro, para ajudar o povo afegão, para desempenhar um papel positivo no desenvolvimento do Afeganistão e na solução dos problemas do povo afegão", concluiu.

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    Tags:
    Talibã, Afeganistão, governo, Ásia Central, Cabul, entrevista
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