21:20 23 Setembro 2021
Ouvir Rádio
    Ásia e Oceania
    URL curta
    152
    Nos siga no

    Khalil al Rahman Haqqani, um dos principais líderes do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países) e atual responsável pela segurança de Cabul, declarou que o grupo não perseguirá os altos funcionários e políticos afegãos exilados se retornarem ao Afeganistão.

    Em uma entrevista no domingo (22) ao canal paquistanês Geo TV, Haqqani afirmou que o grupo insurgente perdoa "todo o mundo: desde o general ao homem comum", sublinhando que tal ato de amnistia também se estende ao ex-presidente afegão Ashraf Ghani, ao ex-vice presidente Amrullah Saleh, e ao ex-conselheiro de segurança nacional Hamdullah Mohib.

    O líder do Talibã negou a divisão étnica, afirmando que "todos os afegãos são nossos irmãos, e por isso podem retornar ao país".

    "A única razão de nossa inimizade foi a ambição de mudar o sistema. O sistema agora mudou", acrescentou Haqqani, observando que o país precisa agora de especialistas treinados.

    "Pessoas altamente treinadas e instruídas formarão o governo no Afeganistão [...] [Pessoas] que unem as massas serão incluídas no novo governo", prometeu o líder talibã.

    Em outra entrevista, também publicada no domingo (22), Haqqani reiterou suas promessas, apontando as várias reuniões nas quais estiveram presentes políticos que se opuseram ao grupo insurgente no passado. Entre eles, se encontrava o primeiro presidente afegão eleito depois da intervenção militar dos EUA no país, Hamid Karzai.

    "Karzai lutou contra nós por 13 anos, mas no final asseguramos que até mesmo ele estará seguro", disse o líder do grupo insurgente.

    Enquanto isso, vários políticos e funcionários superiores têm mostrado sua oposição ao movimento Talibã. Em particular, o ex-vice-presidente afegão Amrullah Saleh se proclamou, na terça-feira (17), em sua conta no Twitter, presidente interino do Afeganistão, e se juntou à Frente Nacional de Resistência, um grupo anti-Talibã baseado na província de Panjshir que, supostamente, já foi sitiado pelo grupo insurgente.

    Nesta segunda-feira (23), a Autoridade Afegã de Aviação Civil anunciou a suspensão de todos os voos de e para o aeroporto de Cabul, até informação em contrário. A autoridade exortou os cidadãos a não se deslocarem ao aeroporto "de modo a evitar multidões e possíveis incidentes".

    A Autoridade Afegã de Aviação Civil informou que está se esforçando para retomar os voos domésticos e internacionais, de acordo com a declaração.

    Durante as últimas semanas, o mundo tem assistido ao nascimento de uma nova ordem política no Afeganistão, agora sob comando do Talibã que, por sua vez, tem prometido ser mais brando do que no passado. Ainda assim, muitos afegãos têm tentado fugir do país com medo de serem perseguidos pelo movimento, especialmente se cooperaram com as forças militares estrangeiras durante os últimos 20 anos de guerra.

    Mais:

    Tropas americanas e talibãs lidam com multidões desesperadas no aeroporto de Cabul (VÍDEOS)
    Talibã: 31 de agosto é 'linha vermelha' para tropas estrangeiras saírem do Afeganistão
    EUA mudam plano de evacuação em Cabul após ameaças do Daesh
    Tags:
    Afeganistão, Cabul, Talibã, promessas, segurança, perdão
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar