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    Os EUA estão saindo o Afeganistão de maneira bastante precipitada, abandonando grande quantidade de material e equipamento, declarou o chanceler russo Sergei Lavrov.

    "Os americanos deram a entender muitas coisas durante os 20 anos de sua presença no Afeganistão, desde proclamação da vitória da democracia e terminando com esta saída bastante precipitada, deixando para trás uma grande quantidade de material e outro equipamento", afirmou o ministro russo durante uma coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (12), no final da reunião com sua homóloga do Sudão.

    "Não acho que o surgimento de novas infraestruturas militares dos EUA na Ásia Central sirva os interesses da segurança na região", ressaltou Lavrov.

    Ele disse que os Estados Unidos tentam manter sua presença militar na região após a saída do Afeganistão e influenciar a situação atual.

    "A principal questão é colocada, certamente, aos americanos: se eles, tendo lá [no Afeganistão] um contingente da OTAN de mais de cem mil em certo momento, não conseguiram fazer nada durante 20 anos, se encontrando dentro do país, quais resultados eles vão atingir com uma presença consideravelmente menor fora do Afeganistão?", segundo suas palavras.

    "A resposta é bem clara. Provavelmente, existe um desejo de simplesmente manter sua presença militar nesta região e com isso influenciar a situação aqui", disse.

    Discursando mais sobre as perspectivas de isso acontecer, o alto diplomata acentuou que as questões sobre a presença de militares estrangeiros não servem os interesses da segurança na região e estão sujeitas a aprovação pelos Estados da Organização do Tratado de Segurança Coletiva. Estes incluem o Cazaquistão, o Tajiquistão e o Quirguistão.

    Lavrov duvidou que algum país esteja interessado em se tornar o refém dos EUA: "Não acho que seja do interesse de alguém tornar-se refém de tal política e de tais intenções norte-americanas, provocando um ataque de retaliação".

    O chefe político do Talibã, Sher Mohammad Abbas Stanikzai, segundo à esquerda, e membros da delegação participam de uma reunião com o representante da Rússia para o Afeganistão, Zamir Kabulov, no Ministério das Relações Exteriores da Rússia, em Moscou, em 29 de janeiro de 2021
    © Sputnik / RIA Novosti
    O chefe político do Talibã, Sher Mohammad Abbas Stanikzai, segundo à esquerda, e membros da delegação participam de uma reunião com o representante da Rússia para o Afeganistão, Zamir Kabulov, no Ministério das Relações Exteriores da Rússia, em Moscou, em 29 de janeiro de 2021

    A administração dos EUA começou, a partir de 1º de maio, a retirada das tropas norte-americanas do solo afegão em coordenação completa com seus aliados. Em 2020, Washington e os representantes do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia) assinaram em Doha o primeiro acordo de paz em mais de 18 anos da guerra.

    Em 8 de julho, o presidente dos EUA, Joe Biden afirmou que os EUA vão terminar a retirada das tropas do Afeganistão até 31 de agosto. Anteriormente, a Casa Branca tinha estipulado que as forças norte-americanas deixariam o país até 11 de setembro.

    No momento, o Afeganistão está assistindo a um aumento da violência à medida que as tropas internacionais estão sendo gradualmente retiradas da região. Em 9 de julho surgiram relatos de que os talibãs entraram após combates em Kandahar, o centro administrativo da província homônima e a maior cidade do sul do Afeganistão.

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    Tags:
    Rússia, Sergei Lavrov, tropas, retirada, Afeganistão
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