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    Um montanhista norueguês se tornou a primeira pessoa a testar positivo para o coronavírus no acampamento-base do Everest, no Nepal, e foi transferido em helicóptero para Catmandu, onde foi hospitalizado.

    O montanhista Erlend Ness contou nesta sexta-feira (23), em uma mensagem à agência de notícias Associated Press, que testou positivo para o coronavírus no dia 15 de abril, quando já estava no acampamento-base fazendo a aclimatação para escalar a montanha.

    O norueguês teve que ser transferido em um helicóptero para a capital, onde permaneceu internado em isolamento por vários dias, com diagnóstico de COVID-19 e edema pulmonar.

    Hoje (23), o escalador disse à AP que realizou outro teste ontem (22), que deu negativo, e que agora ele está junto de uma família de conhecidos no Nepal, após receber alta do hospital em Catmandu.

    Para minha família, amigos e seguidores, estou deixando hoje [quinta-feira, 22 de abril] o hospital. Me sinto bem e estou ansioso para ir para a casa de Dorjis e Tashis agora. Muito obrigado a todos pelo apoio.

    Em entrevista à emissora norueguesa NRK na última quarta-feira (21), Ness afirmou que sentiu perda de energia após fazer uma escalada de aclimatação no monte Kala Pattar, de 5.600 metros de altitude.

    "Fiquei três dias deitado em uma barraca no acampamento-base com oxigênio suplementar. O coronavírus também desencadeou uma diarreia", contou o montanhista natural da cidade de Trondheim à NRK.

    Em entrevista à agência AP, o guia austríaco Lukas Furtenbach, que lidera uma expedição de montanhismo com 18 pessoas, alertou que, se não forem tomadas medidas de segurança adicionais, o vírus poderia se disseminar entre centenas de pessoas - montanhistas, guias e assistentes - que, neste momento, estão acampadas na base da montanha mais alta do mundo.

    "Precisamos agora, de forma urgente, testar massivamente no acampamento-base, com todos sendo testados e com cada equipe mantendo o isolamento, sem contatos entre eles [...] Isso precisa ser feito agora, senão será tarde demais", afirmou o guia de montanha.

    Além disso, Furtenbach, cujo grupo planeja escalar o Everest e o Lhotse - a quarta montanha mais alta do mundo -, disse que poderia haver mais casos na montanha, pois o norueguês manteve contato com diversas pessoas por semanas.

    Qualquer surto no Everest pode encerrar prematuramente a temporada de escalada na montanha, pouco antes de uma janela de tempo favorável, que está prevista para maio, disse o guia à AP. 

    Por outro lado, a porta-voz do Departamento de Turismo do Nepal, Mira Acharya, negou em comunicado, segundo a AP, a existência de qualquer caso ativo de COVID-19 nas montanhas neste momento, e assinalou que só há relatos de pneumonia e mal da montanha, que é causado pela exposição a altitudes extremas.

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    Tags:
    escalada, alpinistas, Everest, Nepal, COVID-19
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