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    Em declarações à Sputnik, porta-voz do governo militar de Mianmar afirmou que "25% dos votos foram falsificados" nas últimas eleições nacionais e que nada foi feito para corrigir a situação.

    Os militares de Mianmar assumiram o poder para salvar a democracia no país, depois que o governo permitiu falsificações e violações em massa nas eleições, disse Zaw Min Tun, general e porta-voz do governo militar, em entrevista à Sputnik.

    Segundo ele, na votação de novembro, "25% dos votos foram falsificados". Nenhum país aceitaria este volume de violações, continuou Zaw Min Tun, acrescentando que os militares conduziram uma investigação em cada caso, apresentaram provas às autoridades e exigiram uma explicação.

    "As autoridades anteriores tiveram muito tempo, três meses, para dar uma explicação. Todos os órgãos oficiais, a comissão eleitoral central, o parlamento e o governo, ignoraram isto, não assumiram a responsabilidade e não explicaram nada".

    "Exigimos democraticamente uma discussão, mas eles agiram como ditadores e ignoraram nossos pedidos. Esperamos até o último momento. Depois tivemos que declarar o estado de emergência no país, de acordo com a Constituição de 2008. Em outras palavras, protegemos o país de um colapso da democracia, e preservamos o movimento pela democracia genuína em nosso país", comentou Zaw Min Tun.

    Influência externa

    O militar apontou ainda a influência de organizações como a Sociedade Aberta, do bilionário, investidor e ativista político George Soros sobre os manifestantes, os quais, segundo o militar, "têm apoio e financiamento de países ocidentais" para comprar armas.

    "A questão principal é onde eles estão conseguindo o dinheiro para comprar tudo o que precisam para fabricar as bombas. Eles recebem dinheiro da Fundação Soros. Há muito tempo que Soros vem mantendo grandes quantidades de dinheiro em dólares em bancos de nosso país sob o pretexto de ajuda humanitária", tendo no início de fevereiro sido retirados milhões "para transformar os manifestantes em terroristas", afirmou.

    Em um banco de Mianmar, a Fundação Soros mantinha US$ 5 milhões. Segundo o militar, esta é apenas uma das fontes que as autoridades militares conhecem. "Pode haver outras. Pode ser dentro de nosso país ou pode ser de nossos vizinhos", sublinhou.

    Evitar caos no país

    Ele também defendeu a tomada de poder como forma de prevenir que o país caia em desordem.

    "Querem fazer de nosso país uma segunda Síria. Os países ocidentais querem ver aqui o que eles veem na Síria. No entanto, queremos responder com confiança que isso não acontecerá em nosso país. Nossas Forças Armadas e o governo atual estão na verdade no caminho democrático, ainda de forma mais forte do que o povo deseja. Portanto, estamos no caminho certo."

    Zaw também comentou a possível aplicação de sanções por parte de países ocidentais membros do Conselho de Segurança da ONU.

    Manifestantes portando armas artesanais de ar comprimido durante protestos contra a junta militar na cidade de Rangum em Mianmar
    © REUTERS / Stringer
    Manifestantes portando armas artesanais de ar comprimido durante protestos contra a junta militar em Mianmar

    "A pressão é habitual para nós. Já ouvimos tais apelos antes, mas até agora não houve nenhuma ação real. Nenhum país ainda anunciou formalmente tal decisão. Temos uma política externa ativa e justa [...] E ainda tentamos ser amigos de todos os países e viver pacificamente", disse.

    De acordo com o general birmanês, embora até 14 de fevereiro os protestos fossem de fato pacíficos e pró-democráticos, desde então eles viraram violentos, razão pela qual as autoridades militares passaram a aplicar a força.

    A partir daí os "manifestantes passaram a interferir com funcionários públicos e com a vida das pessoas comuns, atraindo jovens para as ruas, criando um movimento de desobediência civil, formando um governo sombra paralelo", e todos passaram a ter armas.

    Esses "brigões e mercenários", como os chamou, "queimam fábricas, matam policiais, obstruem o trabalho das autoridades", e desde o final de março "partiram para o ataque não só contra os policiais nas ruas, mas também contra as instalações das esquadras policiais, edifícios governamentais, escolas, veículos e fábricas", e até contra "pessoas pacíficas que se voltam contra eles", nota Zaw Min Tun.

    Turbulência política em Mianmar

    As Forças Armadas de Mianmar depuseram o governo civil e tomaram o poder no país em 1º de fevereiro deste ano, prendendo líderes civis, incluindo Win Myint, presidente do país, e Aung San Suu Kyi, conselheira de Estado (primeira-ministra de fato), e presidente do partido Liga Nacional para a Democracia.

    Os militares justificaram suas ações com uma suposta fraude maciça nas eleições gerais de 2020, e a relutância das autoridades civis em investigá-las. Após chegar ao poder através do mecanismo constitucional de declaração do estado de emergência, os líderes do novo governo militar prometeram realizar novas eleições em um ano e entregar o poder ao partido que as vencer.

    No entanto, desde 5 de fevereiro que acontecem protestos em massa diários contra as autoridades militares em muitas cidades de Mianmar. Mais de 70% dos funcionários públicos, incluindo os profissionais de saúde, aderiram à campanha de desobediência civil contra as autoridades, deixando seus locais de trabalho.

    Na quarta-feira (21) o Ministério das Relações Exteriores da Rússia sublinhou que Moscou condena a violência em Mianmar e convida as diferentes partes a dialogar. O órgão acredita que ainda há potencial diplomático para resolver o conflito, e que as sanções ocidentais contra o país são injustificadas e irresponsáveis.

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    Sputnik News, Sputnik, Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Ministério das Relações Exteriores, Síria, Mianmar
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