16:55 06 Maio 2021
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    A China já estaria trabalhando com várias nações em segurança e cooperação estratégica que Pequim poderia agora tentar "institucionalizar", afirma mídia.

    Uma das medidas mais notáveis ​​tomadas por Washington e seus aliados em resposta à ascensão da China foi a criação do Diálogo de Segurança Quadrilateral (Quad, na sigla em inglês), que conta com a participação dos EUA, Japão, Austrália e Índia e que visa, entre outras coisas, combater a expansão chinesa no Indo-Pacífico. Analistas ouvidos pelo jornal South China Morning Post questionam se Pequim pode eventualmente buscar a formação de um bloco rival, focado não apenas na segurança, mas em desafios globais, como contraterrorismo e mudanças climáticas.

    Enquanto o Quad realizava sua primeira reunião de cúpula em março, Pequim respondeu fortalecendo a cooperação com a Rússia por meio de "uma enxurrada de exercícios militares e diplomacia", afirma o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) no artigo intitulado "O Retorno do Quad: a Rússia e a China formarão seu próprio bloco?", publicado na semana passada.

    O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, rejeitou a possibilidade de uma possível aliança militar entre os Moscou e Pequim, argumentando durante uma visita à Índia na semana passada que a Rússia está interessada em cooperação inclusiva e vê essas alianças como "contraproducentes".

    No início de março, o Ministério da Defesa da China também disse que Pequim não tem planos de forjar uma aliança militar com Moscou, acrescentando que os dois países "aderem ao princípio de não alinhamento, não confronto e não segmentação de terceiros países".

    Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov durante coletiva de imprensa após a reunião com seu homólogo chinês Wang Yi, Guilin, China
    Assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores da Rússia
    Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov durante coletiva de imprensa após a reunião com seu homólogo chinês Wang Yi, Guilin, China

    Himalaia Quad

    Yury Yarmolinsky, analista do Instituto Bielorrusso de Pesquisa Estratégica e ex-diplomata bielorrusso na Índia, argumenta que os desenvolvimentos recentes poderiam, em teoria, "empurrar Pequim a institucionalizar o projeto do Himalaia Quad, envolvendo China, Nepal, Paquistão e Afeganistão como um contrapeso para o Quad".

    O ex-diplomata disse que um Quad chinês só existe hipoteticamente no momento, mas poderia se tornar uma realidade se "certas linhas vermelhas", como interferência militar no mar do Sul da China, apoio à independência de Taiwan, ou medidas e declarações que minam a autoridade do Partido Comunista Chinês forem cruzadas.

    "Enquanto Camberra, Nova Deli, Tóquio e Washington não cruzarem certas linhas vermelhas [...] no contexto dos interesses nacionais de Pequim, a teoria permanecerá uma teoria", garante Yarmolinsky.

    Destróier de mísseis guiados norte-americano USS John S.McCain, da classe Arleigh Burke, transita pelo mar do Sul da China realizando operação de rotina
    © Foto / Marinha dos EUA / Especialista em Comunicação de Massa da Primeira Classe Jeremy Graham
    Destróier de mísseis guiados norte-americano USS John S.McCain, da classe Arleigh Burke, transita pelo mar do Sul da China realizando operação de rotina

    Estrutura existente

    O analista bielorrusso explica que a China já tem parceria com Nepal, Paquistão e Afeganistão em questões de segurança e cooperação estratégica. Por quase uma década, Pequim e Islamabad têm trabalhado em um projeto de infraestrutura e conectividade de US$ 62 bilhões (aproximadamente R$ 346 bilhões), parte da ambiciosa iniciativa Um Cinturão, Uma Rota, da China, que visa desenvolver uma rede comercial global centrada em Pequim.

    O Nepal, por sua vez, recebe investimento estrangeiro direto e ajuda econômica de Pequim. Os exércitos das duas nações também realizam juntos exercícios de contraterrorismo.

    "O Nepal é um ponto de apoio forte no Himalaia no contexto da disputa territorial sino-indiana […] O Afeganistão é um fator significativo para garantir a segurança e manter a estabilidade em Xinjiang [com quem o país compartilha uma fronteira de 76 km]", comenta Yarmolinsky.

    O Ministério da Defesa da China disse em 2018 que estava apoiando e fortalecendo os esforços de defesa e contraterrorismo do Afeganistão, com Pequim fornecendo mais de US$ 70 milhões (R$ 391 milhões) em ajuda militar ao governo afegão de 2016 a 2018.

    "Enquanto a Índia estiver em desacordo com o Paquistão e a China, Islamabad e Pequim terão fortes razões para cooperar entre si", afirma Mark N. Katz, professor de governo e política da Universidade George Mason, EUA, referindo-se aos incidentes na fronteira compartilhada da Índia e da China no ano passado e à longa rixa entre a Índia e o Paquistão, principalmente pela disputada região da Caxemira.

    Guardas de fronteira da China e da Índia
    © AFP 2021 / DIPTENDU DUTTA
    Guardas de fronteira da China e da Índia

    Aliança a longo prazo

    Jagannath Panda, pesquisador especialista em defesa do Institituo Manohar Parrikar, Índia, afirma que o Himalaia Quad teria como objetivo equilibrar o alcance da Índia na região.

    "À medida que Pequim pretende expandir sua influência no sul da Ásia, provavelmente fará mais esforços para iniciar um diálogo regular do quadrilátero do Himalaia com esses países, com o objetivo de institucionalizá-lo a longo prazo."

    Embora considere que esse Quad chinês permaneça uma "possibilidade remota" no momento, Panda acrescenta que "considerando a sinergia crescente entre o Quad, o surgimento de uma aliança liderada por Pequim na região não está fora de questão".

    O pesquisador conclui afirmando que um grupo liderado pela China poderia envolver Rússia, Paquistão, outros estados da Ásia Central, Irã e até mesmo a Turquia, observando, no entanto, que qualquer aliança "seria fortemente impulsionada pela China".

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    Tags:
    EUA, Afeganistão, Paquistão, China, Himalaia, Nepal
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