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    As relações sino-japonesas pioraram desde que Pequim introduziu uma polêmica lei de guarda costeira e as negociações militares EUA-Japão marcaram uma mudança na geopolítica regional.

    O Ministério da Defesa da China pediu ao Japão que pare de fazer movimentos provocativos e se abstenha de atacar a China por causa das disputadas ilhas desabitadas no mar da China Oriental.

    "O Departamento de Defesa da China enfatizou o fato de que as ilhas Diaoyu [Dao, conhecidas como Senkaku no Japão] e suas ilhotas afiliadas são todos territórios inerentes à China", disse o porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Wu Qian, citado pelo jornal South China Morning Post.

    "O Japão deve interromper todos os movimentos provocativos envolvendo o problema de Diaoyu [Dao] [...]. O lado chinês também expressou forte insatisfação e séria preocupação com a recente série de movimentos negativos contra a China e pediu ao Japão para cumprir os critérios de relações internacionais, parar de difamar a China e tomar medidas práticas para manter as relações China-Japão", acrescentou Wu.

    As declarações do porta-voz do Ministério da Defesa da China ocorrem logo após os ministérios da Defesa de ambos os países terem participado de uma reunião virtual sobre comunicação de ligação marítima e aérea, um mecanismo criado em 2007 para aumentar a confiança e reduzir a chance de erro de cálculo militar entre os dois países.

    Navios chineses durante exercícios navais no mar da China Oriental (foto de arquivo)
    © REUTERS / China Daily
    Navios chineses durante exercícios navais no mar da China Oriental (foto de arquivo)

    Tensão sino-japonesa

    Especialistas em defesa e na relação China-Japão ouvidos pela mídia afirmam que o alerta feito pelo Ministério da Defesa chinês é um evento raro, uma tentativa de impedir o Japão de seguir seu aliado EUA no fortalecimento dos laços de segurança marítima com Taiwan.

    O comentarista militar Song Zhongping, baseado em Hong Kong, disse ao South China Morning Post que a mensagem de Wu foi um aviso a Tóquio para não intervir na questão de Taiwan. Pequim vê Taiwan como uma província separatista que deve ser reunificada com o continente, pela força se necessário.

    Na semana passada, Taiwan e EUA assinaram um acordo que cria um grupo de trabalho da Guarda Costeira para coordenar ações. Song acredita ser possível que o Japão se junte aos EUA na assinatura de outro acordo com Taiwan.

    "[Isso seria] um movimento provocativo aos olhos do ELP [Exército de Libertação Popular] desafiando a linha vermelha de Pequim na questão de Taiwan […]. As tensões na região aumentarão se Taiwan, Japão e EUA se unirem e tomarem o continente como rival comum", garante Song.

    A tensão entre o Exército de Libertação Popular (ELP) da China e a Força Marítima de Autodefesa do Japão perto das águas de Diaoyu Dao/Sekaku aumentou depois que a China aprovou em janeiro uma lei que permite que sua guarda costeira atire em navios estrangeiros. Wu disse que a lei é normal e está de acordo com a prática internacional.

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    Tags:
    Taiwan, EUA, Mar da China Oriental, Japão, China
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